A exoneração do agora ex-secretário estadual de Educação, Gedeão Amorim, pode ter desdobramentos na eleição para a Prefeitura de Manaus. Ele é considerado um dos secretários mais ligados ao ex-governador e senador Eduardo Braga, razão pela qual, apesar de não atender a pedidos diretos do governador Omar Aziz, permanecia no cargo. A saída pode representar, portanto, a gota d’água de nova crise entre os dois líderes políticos. A primeira ocorreu com a retirada da candidatura da deputada federal Rebecca Garcia, que Omar indicou.
O secretário estadual de Fazenda, Isper Abrahim, seria o próximo secretário ligado a Braga a deixar a administração. O pedido de exoneração do próprio Isper funciona, nesse caso, como atenuante. O governador não fez a mudança porque o escolhido para assumir o cargo, Afonso Lobo, depende do julgamento de seu envolvimento na Operação Saúva. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a inocência dele, mas a decisão, agora sob a alçada do juiz federal Márcio André Cavalcante, ainda não saiu.
Omar e Braga estão tendo dificuldades para comparecer, juntos, aos atos da campanha de Vanessa. Há uma promessa de que, na primeira semana de agosto, 10 mil cabos eleitorais entrarão na campanha da senadora. O impacto disso, sem os dois principais apoiadores nas ruas, seria muito menor. Braga dificilmente engolirá sem reagir a saída dos dois nomes mais ligados a ele, Gedeão e Isper, do Governo do Estado. E Vanessa, patinando entre Arthur Virgílio e Serafim Corrêa, pode acabar ficando no 1º turno.
A queda
Gedeão começou a cair quando, além de ordens não cumpridas, professores revelaram orientação emitida pela Seduc para que não reprovem alunos das escolas estaduais. O ex-secretário deu a ordem, aos coordenadores, sob o argumento de que um aluno repetente é custo dobrado para o Estado. Mirava, na verdade, a obtenção de índices melhores nas avaliações nacionais do ensino no Amazonas e buscava se cacifar junto à população. Gedeão pretendia eleger Everaldo Farias (PV) vereador, agora, um deputado estadual e ele próprio deputado federal, em 2014. O governador teria ficado irritado com a revelação.
A Seduc, por conta da “autonomia” de Gedeão, chegou ao requinte de ter uma comissão de licitação própria, independente, que tratava da reforma de escolas à revelia da Comissão Geral de Licitação (CGL) do Estado e até da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf).
Omar, com perto de 90% de aceitação popular, segundo pesquisas recentes, tomou a decisão de que não aceitará na administração secretários que sigam mais as ordens de Braga que as suas. Ficou faltando, porém, o nome de um sucessor que fizesse sentir a diferença na Seduc.
A gota d’água para a queda ocorreu quando, há cerca de duas semanas, chegou às mãos de Omar uma fita, gravada por um professor, na qual a primeira-dama, Nejmi Aziz, e ele próprio, governador, foram atacados. O autor dos ataques foi o candidato a vereador Everaldo Farias, estreitamente ligado a Gedeão, ex-coordenador da campanha deste à Câmara Federal, da qual desistiu com a morte da então secretária da Seduc, Cínthia Régia, num acidente de avião.
Hoje, pela manhã, Gedeão chegou a comparecer ao lançamento de um programa de incentivo ao setor rural, ao lado do governador e da primeira-dama. Trocaram olhares. O clima estava visivelmente pesado. Consta que o “pedido de exoneração” já estava pronto, na Casa Civil, esperando para que ele assinasse.