09/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Deputados querem apurar ruptura de contrato do Minha Casa Minha Vida

Publicado em 10 de setembro, 2019

Deputados

José Ricardo é um dos parlamentares que defendem a convocação. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Os deputados José Ricardo (PT-AM), Joseildo Ramos (PT-BA) e Paulo Teixeira (PT-SP) vão propor à Comissão de Desenvolvimento Urbano a convocação dos ministros do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e da Economia, Paulo Guedes, para que eles expliquem a decisão de deixar expirar duas portarias (896/19 e 897/19) que previam a contratação de habitações populares por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades (8,6 mil unidades habitacionais) e do Programa Nacional de Habitação Rural (27 mil unidades).

Os parlamentares também anunciaram que vão acionar o Ministério Público ainda nesta terça-feira (10) para que o órgão apure possível ruptura de contrato relacionada à contratação das obras pelo governo federal. O assunto foi debatido em audiência pública realizada hoje no colegiado.

“Política de habitação não é política de um governo, mas de Estado e, como tal, tem que ter continuidade”, disse Teixeira, ao propor a convocação dos ministros.

Para o deputado José Ricardo, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que completa 10 anos em 2019, não vem recebendo a devida atenção do atual governo. “Temos um déficit habitacional grande e, ao mesmo tempo, muitas obras paradas em todo o País. Quantos empregos seriam gerados só com a retomada das obras paralisadas?”, disse.

Já Joseildo Ramos lembrou que a iniciativa, que tem o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), tem previstos no orçamento para 2020 R$ 2,7 bilhões, quase R$ 2 bilhões a menos do que o destinado em 2019 (4,6 bilhões).

Política seletiva

Representando a União Nacional por Moradia Popular (UNM), Evaniza Rodrigues criticou os cortes orçamentários no setor de habitação e acusou o governo de adotar uma política seletiva que retira recursos da população mais carente. Segundo ela, as entidades atenderam à convocação do governo e se empenharam em apresentar propostas e toda a documentação exigida.

“Tivemos que apresentar toda a documentação relacionada aos empreendimentos, aos terrenos e aos proprietários, incluindo projetos, memoriais descritivos, licenças ambientais. E tudo isso foi custeado pelas famílias interessadas”, criticou.

De acordo com Rodrigues, além das 8,6 mil unidades que seriam contratadas por meio do MCMV Entidades, outras 17,5 mil já contratadas e que aguardam autorização de início das obras também foram prejudicadas com a decisão do governo de não prorrogar as portarias. “O valor do terreno e do projeto já foram desembolsados pelo governo e agora esses projetos estão no limbo”.

O representante da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), José Arnaldo Brito, também falou sobre o processo árduo de habilitação, credenciamento, busca de documentação dentro do PNHR. “E agora estamos vendo o sonho da casa própria ir pelo ralo.” Brito reproduziu vídeo durante a audiência no qual o ministro Gustavo Canuto, diante da liberação, em julho deste ano, de R$ 1 bilhão em créditos suplementares para o programa, garante a continuidade das obras e do programa.

Sem previsão orçamentária

Representando o Ministério do Desenvolvimento Regional, o diretor do Departamento de Produção Habitacional, Daniel Ferreira, disse que, diante dos cortes e da falta de previsão orçamentária para as obras, que envolvem projetos de longo prazo, a secretaria de orçamento recomendou a não contratação de projetos que conflitassem com os em andamento. “Mesmo assim, naquele momento (julho), o ministro decidiu prorrogar as portarias e manter o pedido de suplementação de R$ 1 bilhão”, relatou.

Depois disso, segundo ele, uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que não se pode fazer contratação de serviços que exigem recursos plurianuais sem previsão de receitas. “Um parecer jurídico do ministério também sinalizava para a revogação das portarias. Mas, como o prazo de vencimento já estava próximo, o ministro optou por deixar que elas expirassem”, disse Ferreira.

 

Agência Câmara Notícias

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.