
EXCLUSIVO Plano Dubai muda ZFM e é explicado por Alfredo Menezes (foto), superintendente da Suframa. Ele afirma que diálogos vazados, entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, no âmbito da Operação Lava Jato, resultam da espionagem internacional
O superintendente da Zona Franca de Manaus (ZFM), coronel do Exército Alfredo Menezes, explicou hoje (10/06) o Plano Dubai. “Trata-se de um conjunto de ações para planejar a Zona Franca de Manaus, após os 50 anos de prorrogação institucional do modelo. Foi para isso que eu assumi esse cargo”, disse. O plano foi anunciado pelo ministro Carlos Alexandre da Costa, da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec). Trata-se da pasta à qual a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) está subordinada, dentro do Ministério da Economia.
Menezes também falou sobre o vazamento de conversas entre Sérgio Moro e Deltran Dallagnol, entre outros envolvidos na Operação Lava Jato. “Alguém achou que o crime organizado ficaria parado, após perder bilhões pra essa garotada da Lava Jato? São R$ 13 bilhões devolvidos. Já pensou quantos jatinhos, mansões e iates superluxuosos deixaram de ser comprados?”, indaga. O superintendente atribui o vazamento a “espionagem internacional paga a preço de ouro”.
Portal do Marcos Santos – O ministro Alexandre Costa, da Sepec, anunciou hoje, no jornal Folha de S. Paulo, o chamado Plano Dubai. O anúncio foi recebido com certo alarmismo no Amazonas. O senhor tem conhecimento disso? Sabe do que se trata?
Superintendente da Suframa Alfredo Menezes – Claro. Foi sobre isso que conversamos tantas vezes, tanto no âmbito da Sepec quanto com o ministro Paulo Guedes (Economia). Conversei, aliás, até com o presidente Bolsonaro. É disso que venho falando. Trata-se de um conjunto de ações para planejar a Zona Franca de Manaus, após os 50 anos de prorrogação institucional do modelo, em 2073. Foi para isso que eu assumi esse cargo. É aquilo que não fizeram nos 50 anos passados e deixaram os amazonenses correndo da sala para a cozinha. Foi a missão que recebi dessas autoridades, às quais a Suframa está subordinada.
Menezes – Linhas gerais: vamos incentivar pesquisa e instalação de indústrias de cinco polos. Todos sempre falaram deles: biofármacos, turismo, defesa, mineração e piscicultura. Nesse material da Folha, o ministro fala com espanto que a China produz mais peixe em cativeiro que a Amazônia. É um absurdo mesmo! A fartura d’água, com rios, igarapés e margens a botão, perdendo para um país onde água é preciosidade. Turismo? Isso soa como música aos nossos ouvidos. Defesa? O Brasil precisa se modernizar nesse campo e isso significa ampliar a indústria. Trazer esse investimento, que será necessidade inexorável nas próximas décadas, é uma vitória. Mineração, com esse mar de cassisterita, tantalita, silvinita, ouro e outros minerais nobres, é um crime ter ficado esquecida. Claro que temos a obrigação de explorar o setor mineral com respeito ambiental. E é o que estamos buscando.
Menezes – Depende do nosso trabalho diário para fortalecer o Polo Industrial de Manaus (PIM). Com tantas indústrias envolvidas, de tantos polos, diferentes dos tradicionais eletroeletrônicos-motocicletas, você acha que a ZFM acaba? Acho que ela ficará é mais fortalecida, pujante e capaz de mostrar sua importância ao País.
Menezes – Esse modelo que hoje existe? Acho que até menos. Mas, se levarmos em conta o conjunto de indústrias a serem atraídas, o modelo será rejuvenescido. E temos que ter competência para achar o momento de abandonar o nome Zona Franca. A indústria amazonense precisa se tornar forte e partir para algo mais condizente com esse planejamento. O importante, que precisa ficar claro, é que a sociedade será envolvida em cada passo. Nada será feito de cima para baixo. Temos a ideia, respaldada pelo presidente Bolsonaro, de fortalecer a economia regional. É preciso agarrar essa vontade política e partir para mais pesquisa aplicada e incrementar a atração de investimentos. Tenho muita esperança de que esse seja o caminho, mas vamos discutir com a sociedade. Mais cabeças pensam sempre melhor.
Menezes – Sou um funcionário de segundo escalão do Governo Federal e não posso falar institucionalmente. Isso está sendo tratado pelo escalão superior. Mas você quer minha opinião como cidadão?
Menezes – Alguém achou que o crime organizado ficaria parado, após perder bilhões pra essa garotada da Lava Jato? São R$ 13 bilhões devolvidos ao povo brasileiro. Já pensou quantos jatinhos, mansões e iates superluxuosos deixaram de ser comprados? Você acha que esses bilionários do dinheiro público iam ficar paradinhos, esperando perder mais grana? Claro que eles ficaram caladinhos e foram recorrendo a recursos sofisticados para ir à forra. O Telegram, de onde dizem que vazaram esse diálogos, é um aplicativo baseado na Rússia. O próprio país criou certo orgulho, nas mídias sociais, quanto à inviolabilidade das conversas feitas através dele. Quem conseguiu esse suposto vazamento é gente da alta espionagem internacional. São agências que cobram fortunas para obter o impossível. A gente está falando de bilhões, lembra?
Menezes – São jornalistas muito experientes e engajados politicamente. Estão jogando o prestígio inteiro, graças a uma confiança cega nas “fontes”. De onde vem essa confiança? O tempo vai dizer.
Menezes – Claro. Os jornalistas podem estar sendo usados? Eu diria que sim, mas docemente (risos). É o caso de casar a sopa com o mel: um noticiário bombástico, muitos acessos e um furo no casco do pessoal da Lava Jato. Ganham os corruptos, os corruptores, os jornalistas e os espiões. Resta a quem tem o dever institucional de defender o Brasil, que somos todos nós, evitar que isso aconteça. Vou repetir: a Lava Jato resgatou para o erário nacional R$ 13 bilhões. Isso é mais de dois terços do orçamento anual do Amazonas, que é de R$ 18 bilhões. As decisões do juiz e hoje ministro Sérgio Moro foram respaldadas pelo TRF4, STJ e STF. Onde eles atacam? No que consideram o elo mais fraco, institucionalmente, do Judiciário, a primeira instância. Acertam, ao mesmo tempo, no homem mais forte do Governo Bolsonaro. E na grande reserva moral do Brasil. Ou seja, as instituições são desmoralizadas e os corruptos, Lula à frente, saem da cadeia rindo da sociedade. Estaria escancarada a porta para a venezuelização brasileira. Isso é muto grave. Tão grave que não tem qualquer chance de passar pela consciência nacional.