
Familiares fazem reconhecimento dos corpos de presos no IML. Massacre começou pelo Compaj no domingo. Foto: Divulgação
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informa que estão sendo realizados a partir desta terça-feira (28) os procedimentos de reconhecimento, por parte dos familiares, dos detentos que morreram no sistema prisional.
O Instituto Médico Legal (IML) já realizou a coleta de digital dos internos mortos e deu início ao teste de papiloscopia, processo de identificação humana por meio das impressões digitais.
Posteriormente serão emitidos os laudos médicos para que sejam informados aos familiares. A Seap está garantindo, ainda, atendimento psicossocial aos familiares dos detentos.
O Departamento de Polícia Técnico-Científica do Amazonas (DPTC) montou uma força-tarefa entre peritos e servidores do IML para identificar todos os detentos que foram mortos em presídios da capital entre o domingo (26) e esta segunda-feira (27). A medida objetiva dar mais rapidez ao processo de liberação de corpos para os familiares.
De acordo com o diretor do DPTC, Lin Hung Cha, os corpos dos detentos vão ficar em uma câmara frigorífica cedida pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).
“As identificações serão realizadas durante toda a semana, assim como todo o apoio psicossocial está sendo oferecido aos familiares dos detentos. Nossos servidores vão trabalhar dia e noite até finalizar os trabalhos de identificação”, afirmou Lin Hung Cha.
No último domingo (26), o Compaj voltou a ser palco de uma chacina. Quinze detentos foram assassinados. Em nota, a Seap informou que as mortes aconteceram durante uma briga entre presos dos pavilhões 3 e 5, e que, após o acionamento do Batalhão de Choque da Polícia Militar, a situação havia sido controlada sem que nenhum agente penitenciário ou policial se ferisse. A briga começou durante o horário de visitas.
Em função do ocorrido no domingo, a Seap aplicou uma série de medidas administrativas em todas as unidades prisionais do estado, entre elas a suspensão das visitas no Compaj e em outras cadeias, por 30 dias.
Ontem (27), no meio da tarde, o governo do Amazonas informou que mais 40 detentos haviam sido encontrados mortos em suas celas, elevando para 55 o total de óbitos no sistema prisional amazonense em dois dias, a maioria por asfixia.
Das 40 ocorrências registradas ontem, 25 mortes ocorreram no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat); quatro no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj); cinco no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM 1) e seis na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), todos em Manaus.