06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Na ALE, deputados criticam proposta que muda estrutura da saúde indígena

Publicado em 27 de março, 2019

Deputados estaduais criticaram, na Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), na manhã desta quarta-feira (27), a proposta de municipalização da saúde indígena. Representantes de várias etnias foram até a ALE para se manifestar contra a mudança, no segundo dia de protestos.

Uma das reivindicações dos indígenas é manter a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde (MS), que ameaça ser extinta. O fechamento da Sesai foi citado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em recentes declarações.

O deputado Sinésio Campos (PT) citou números da presença indígena no Amazonas para destacar a importância destes povos. Segundo o parlamentar, são 210 mil indígenas no Estado, 66 etnias e 178 terras indígenas. Ele citou, ainda, o orçamento anual do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) que atua em Manaus, de R$ 90 milhões.

“Passar para a prefeitura a administração? As prefeituras estão quebradas. Parece que todos os povos da Amazônia são invisíveis”, disse Campos, criticando as medidas do governo federal para a Região Norte. O deputado reforçou que as prefeituras não têm condições de manter os gastos da saúde indígena.

Na Tribuna, o deputado Dermilson Chagas (PP) pediu que o governo federal “olhe” para o Amazonas e declarou apoio às reivindicações dos povos indígenas. “Que [o governo federal] entenda e veja que essa nação que está aqui, brancos e índios, merece respeito e atenção. Brasília toma decisões de forma alienígena, como se não existisse a Região Norte”, criticou.

Já o deputado Serafim Corrêa (PSB) declarou apoio à manutenção da Sesai e disse que os povos indígenas precisam ser respeitados. “Acabar com a área pública que cuida da saúde indígena é mais um retrocesso do governo federal”, disse.

Manifestação

Este é o segundo dia de protestos dos indígenas, em Manaus. Na tarde de terça-feira (26), o grupo fechou parte da Avenida Djalma Batista, nas proximidades do Amazonas Shopping, pedindo atenção às suas reivindicações. Segundo os manifestantes e lideranças, caso a Sesai seja fechada, os serviços do DSEI serão diretamente afetados.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) pediu, em nota pública, que o Ministério da Saúde reveja sua posição e solicitou que o Ministério Público Federal (MPF) se posicione contra as perspectivas de municipalização e da política de atenção à saúde indígena.

 

Texto: Laís Motta

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