Por Arthur Virgílio Neto
Os líderes parlamentares, executivos, empresariais do Amazonas têm de se mobilizar seriamente, diante do quadro de mudanças que se anuncia. Elas são essenciais para impulsionar o crescimento econômico por anos seguidos, reduzir o déficit público, alavancar investimentos, gerar empregos, pavimentar o futuro.
Nosso dever é impedir que essas reformas, inevitáveis e inadiáveis, possam inviabilizar a Zona Franca de Manaus. A reforma tributária proporá o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), visando a simplificar o processo arrecadatório e a levar a um eficaz processo de recolhimento de recolhimento de tributos. Com o IVA, diversos impostos seriam eliminados, entre eles o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que é a principal garantia das vantagens comparativas que sustentam o modelo ZFM. LOGO, É IMPRESCINDÍVEL QUE SE ESTABELEÇA, NO IVA, UMA ALÍQUOTA CAPAZ DE COMPENSAR A PERDA DO IPI, PRESERVANDO O POLO INDUSTRIAL DE MANAUS.
Se errarem a mão no jogo de alíquotas do Imposto de Importação, desabará efeito devastador sobre o faturamento e os empregos no Distrito Industrial. Ou seja, ficar contra as reformas seria falta de senso, porém é fundamental que o Amazonas seja capaz de negociar salvaguardas que lhe protejam a sobrevivência.
É uma linha tênue, saber defender reformas estruturantes inevitáveis e, ao mesmo tempo, conseguir impedir o fim da ZFM, cujos efeitos diretos e indiretos mantêm a floresta em pé. Os amazonenses precisam estar vigilantes.
O mundo, por sinal, acompanha com viva atenção o tipo de governança que se produza sobre a floresta. Nesse quadro de aquecimento global, eventual devastação criaria problemas econômicos, políticos, diplomáticos e até militares para o Brasil. Afinal, a floresta amazônica é um dos mais robustos agentes atenuadores dos efeitos desse fenômeno sobre o planeta.
O governo federal fez bem em recuar da ideia inicial de sair do Clube de Paris. Atitude diferente dessa seria repetir a recente estupidez histórica de Donald Trump, que “nega” a existência do aquecimento global, contraditando cientistas, estadistas e a própria verdade.
TODA ATENÇÃO AOS DEBATES EM TORNO DA REFORMA TRIBUTÁRIA SERÁ POUCA. Quem não sabe se defender, abre mão de seu sagrado direito à sobrevivência.
* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus