20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ensino básico, ensino a distância e globalização

Publicado em 07 de janeiro, 2019

O avanço tecnológico introduziu extraordinário crescimento ao “Ensino a Distância” (EAD). Nesse espelho aperfeiçoamentos e oportunidades quebram a resistência e as limitações de um meio de ensino, a escola tradicional, que há séculos se repete em espantosa mesmice.

Em pouco tempo o céu terá constelações de satélites espalhando conectividade de altíssima qualidade por todo o planeta. E logo os limites do ensino serão os limites do próprio planeta. Será a efetiva democratização do conhecimento.

A experiência do diretor e professor de “Robótica e Inteligência Artificial” na Universidade de Stanford, Sebastian Thrun, confirma a tendência. Tinha duzentos alunos presenciais e uma certa resistência ao EAD. Resolveu abrir para o ensino online e agora tem 160 mil alunos ao redor do mundo. Ao final de um período aplicou testes de avaliação iguais para todos seus alunos. Surpreendeu-se com os resultados. Os primeiros 412 melhores eram do EAD. Atualmente é um entusiasta e incentivador da modalidade.

Universidades como Harvard, Stanford, MIT, Oxford e tantas outras do topo dos rankings da educação, estão sugerindo aos seus professores disponibilizarem na internet, gratuitamente, o conteúdo das suas aulas nos cursos presenciais regulares. Na rede existem cursos onde se pode aprender de idiomas a inteligência artificial com a qualidade das melhores universidades do planeta, alguns deles gratuitamente. Com a ampliação dos meios de transmissão a oferta aumentará drasticamente e os preços serão insignificantes.

Ao que tudo indica o ensino superior sofrerá profundas transformações. Poucos serão os cursos de longa duração, pois as atividades estarão em mudanças constantes, descartando e agregando conhecimentos ao longo da vida. A diversidade e a multidisciplinaridade definirão o estudo como atividade permanente, pois as demandas serão pelo “conhecimento da hora”. Formaturas em áreas específicas devem desaparecer.

Inserir-se nesse cenário exigirá sólida formação básica, capaz de desenvolver nos jovens o raciocínio lógico e a capacidade de entender e interpretar as diversas realidades desse mundo novo, condição indispensável para estudar em qualquer universidade do planeta.

Diante dessas demandas a educação brasileira pinta um quadro desanimador. O Instituto Círculo de Matemática constatou: apenas 10% dos jovens sabem matemática ao final do ensino médio; adultos com 25 anos não sabem equações simples de matemática; 75% são sabem apurar médias e frações simples e 63% não entendem perguntas sobre percentagem. Já em português 75% não sabem interpretar textos simples.

Nem uma novidade, tais resultados são regularmente conhecidos, pois desde o ano 2000 nossos jovens estão na rabeira nos exames de avaliação de estudantes realizados pela OCDE (Organização para a Cooperação ao Desenvolvimento Econômico) a cada três anos. Vários diagnósticos com o mesmo desempenho aparecem em diversos outros exames feitos ao longo do tempo. O responsável maior por esses desvios, contudo, cada vez se torna mais evidente: o Brasil aplica mais recursos por aluno do ensino superior em detrimento da boa formação dos alunos da base.

Felizmente o novo presidente tem anunciado, repetidamente, que a prioridade do país será com o ensino básico, como, aliás, acontece no mundo desenvolvido. Se o país quiser avançar tem de reformular toda a grade curricular do ensino básico com vistas a volatilidade das dinâmicas desse novo mundo. A fluência em outros idiomas, especialmente na língua inglesa é absolutamente fundamental. Sem as habilidades para enfrentar o conjunto das demandas atuais e incapacidade de especular sobre demandas futuras, seria condenar nossos jovens  a um isolamento dentro do mundo globalizado e apartá-los do processo de desenvolvimento do país. Uma reverência à mediocridade que nos persegue há décadas.

 

 

 

 

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Francisco Cruz

* Francisco R. Cruz é empresário e trabalhou muitos anos na área de tecnologia e, entre 2001 e 20...

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.