“A enchente deve ser medida pela diferença entre o menor nível do rio em um ano e o nível máximo do ano seguinte. A altura do rio, em relação ao nível do mar, mostra apenas o tamanho da alagação”. A afirmação é do doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Efrem Jorge Gondim Ferreira, do Inpa, que observa nível de rio como acessório para suas pesquisas. “É mera contribuição ao debate. A gente tem que olhar todos os ângulos da questão, para tirar alguma conclusão que permita melhorar nossa visão geral das alagações e suas consequências”, afirma.
A maior enchente, pelo método dele, foi a de 2011, quando encheu 14 metros e 99 centímetros – a diferença entre o nível mínimo de 2010 (seca recorde de 13m16, dia 24 de outubro) e o máximo de 2011 (28m62, dia 28 de junho).
“Analisando todos os parâmetros, é possível observar melhor se os fenômenos climáticos influem tanto assim ou não nas alagações”, enfatiza.
Efrem observou, com base na tabela de enchente e vazante da Administração do Porto de Manaus (www.portodemanaus.com.br), que no ano de 1926 os rios subiram apenas 4m10. “Foi a menor cheia de todos os tempos porque a seca do ano anterior também foi pequena”, enfatiza – veja tabela ao pé do post.
“As grandes variações ocorreram a partir da década de 1990, quando a média de enchente foi de 11m25. Nas décadas de 1903-1910, a média também foi alta, a segunda da história, ficando em 11m18”, analisa.
Os anos de grandes enchentes foram precedidos, na verdade, por secas pequenas. O rio partiu de 17m14 (30/10/1952) para os 29m69 (09/06/1953). Em 2012, se mantido o nível atual, com 29m97, embora tenha sido registrado o recorde em relação ao nível do mar, a subida será de apenas 13m21, a quinta maior da história registrada na régua do Roadway, uma vez que, ano passado, o rio ficou em 16m76, no dia 10 de outubro.
Com a maior enchente (14m99) em 2011 vêm a seguir: 1999 (2º) 14m27; 2006 (3º) 14m09; 1996 (4º) 13m48 e 2012 (5º) 13m21.
Quem é Efrem Jorge Gondim Ferreira
Possui graduação em Engenharia de Pesca (Departamento de Engenharia de Pesca-1976), mestrado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (Inpa-1981) e doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (Inpa-1992).
Atualmente é pesquisador titular III do Inpa, professor e orientador do Programa de Pós Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior. Orientou 12 mestrados e dois doutorados, além de Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia de Ecossistemas, relacionados à ictiofauna, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, ecologia, sinecologia, impacto ambiental e biodiversidade. Publicou 10 livros, oito capítulos de livros e mais de 25 artigos em periódicos nacionais e estrangeiros.