
Segundo levantamento da Folha, o caso mais surpreendente é o do apresentador de TV Wilson Lima (PSC), 42, eleito governador do Amazonas. Ele não tinha carreira política e até junho apresentava o “Alô Amazonas”. Foto: Divulgação
Em campanha eleitoral marcada pela força das redes sociais online, a chamada “bancada da mídia” perdeu espaço no Congresso Nacional, mas teve força para eleger três governadores de Estado, segundo matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (10).
Levantamento da Folha aponta que dos 40 parlamentares eleitos em 2014 que eram sócios de emissoras de rádio e televisão, 4 não disputaram a reeleição e 11 foram derrotados nas urnas, incluindo nomes tradicionais como Romero Jucá (MDB-RR) e José Agripino Maia (DEM-RN).
Se, no Congresso, a bancada da mídia perderá espaço na próxima legislatura, os meios de comunicação tradicionais mostraram força com a eleição de governadores de três estados.
O caso mais surpreendente é o do apresentador de TV Wilson Lima (PSC), 42, eleito governador do Amazonas. Ele não tinha carreira política e até junho apresentava o “Alô Amazonas”, popular programa com temas policiais e comunitários.
Conforme a matéria, paraense e de origem familiar pobre, Wilson fez a carreira no Amazonas dentro do Rede Calderaro de Comunicação (RCC), que reúne a TV A Crítica, afilada da Record, e outras dez empresas. Ao todo foram 12 anos trabalhando para o grupo.
Após a vitória no segundo turno, o jornal A Crítica fez uma capa especial onde se lia “O Brasil e o Amazonas decidiram virar a página”. No Instagram, a presidente da RCC, Tereza Cristina Calderaro Corrêa, comemorou: “QUE FORÇA tem nosso grupo no Amazonas”.
Em entrevista por telefone, o vice-presidente Dissica Calderaro disse que a celebração de sua mãe foi em caráter pessoal. Ele afirma que a RCC não se envolveu na campanha de Lima e que o conglomerado tomará distância do seu governo.
“O grupo A Crítica não mudará e será o grupo O Elogio. Vamos continuar o nosso trabalho”, disse. “O próprio programa ‘Alô Amazonas’ cobrará o governador.”
No Pará, o clã Barbalho, dono do grupo RBA, voltou ao poder após 25 anos com a eleição de Helder. Seus pais, o senador Jader e a deputada federal Elcione, renovaram seus mandatos.
O conglomerado inclui a afiliada local da TV Bandeirantes, o jornal Diário do Pará, entre outros meios comunicação. Não são raras reportagens críticas a adversários, principalmente do PSDB, ao lado de menções elogiosas a Jader e a Helder.
No Paraná, a família do governador eleito Ratinho Júnior (PSD) é dona da Rede Massa, que reúne emissoras de rádio e a afiliada do SBT no estado. O pequeno império comunicacional foi criado pelo seu pai, o apresentador de televisão Ratinho.
Entre os novos senadores, três têm relações estreitas com emissoras de televisão, casos de Jayme Campos (DEM-MT), Weverton Rocha (PDT-MA) e Carlos Viana (PHS).
A família de Campos é sócia da TV Brasil Oeste no Mato Grosso, enquanto Carlos Viana foi eleito em Minas Gerais após uma carreira de apresentador na Record Minas.
No Maranhão, Weverton tem ligações com a TV Difusora, afiliada do SBT, há, pelo menos, dois anos. O senador eleito é sócio de uma empresa firmou contrato de promessa de compra e venda da emissora, que pertence à família do senador Edison Lobão (MDB).
Desde que o contrato foi assinado, TV Difusora tornou-se uma espécie de vitrine para Weverton. Ele passou a ter presença constante em programas como o Bom Dia Maranhão, no qual costuma aparecer em entrevistas e reportagens sobre a sua atuação em Brasília.
Por outro lado, 25 da bancada da mídia seguirão no Congresso nos próximos quatro anos —5 senadores e 20 deputados. A eles se unirão três novos deputados que declararam ser sócios de emissoras de rádio: Leur Lomanto Júnior (DEM-BA), David Soares (DEM-SP) e João Maia (PR-RN).
Oficialmente, a bancada da mídia terá 28 representantes no Congresso. Mas ainda há uma legião de parlamentares ligados a emissoras mesmo não constando entre os sócios. É o caso de veteranos como o deputado federal Silas Câmara (PRB-AM), cujo irmão é sócio de uma emissora de televisão no Amazonas.
Entre os novatos, há nomes como o deputado eleito Lafayette Andrada (PRB-MG), cujo pai, Bonifácio Andrada (PSDB-MG) é sócio de uma rádio em Minas, e o deputado eleito Paulo Martins (PSC-PR), que é funcionário de uma emissora da Rede Massa, ligada ao governador eleito Ratinho Júnior (PSD).
Parte dos deputados e senadores que apareciam como proprietários emissoras em 2014 também deixou de fazer parte das empresas – as cotas da sociedade foram repassadas para familiares e aliados últimos anos. É o caso, por exemplo, do senador Jader Barbalho (MDB-PA) e do deputado federal eleito Aécio Neves (PSDB-MG).