“Nada se cria, tudo se transforma”. Foi o que disse Antoine Laurent de Lavoisier, pai da química moderna, no ano de 1743.
Foi em meados do século XIX, na principal ilha do mar mediterrâneo, a Sicília, que surgiu uma das primeiras e principais organizações criminosas do mundo, a máfia italiana, conhecida pelo nome de “Cosa Nostra”.
Inicialmente intitulada de sociedade secreta, tinha entre seus membros Sicilianos selecionados “a dedo” e que juravam fidelidade à família. Com a expansão da máfia aos Estados Unidos, em 1920, a “Cosa Nostra” cresceu desenfreadamente, chegando a se infiltrar, inclusive, na política.
Mas não era qualquer um que se tornava membro. Havia um ritual, e o recrutado, após isso, ganhava um número de inscrição. Se tornar membro da família era sinônimo de status e poder. O novo filiado era levado a um lugar reservado, que poderia ser até a casa de alguém, na presença de testemunhas de honra da família. Então o mais velho dos presentes lhe informava o propósito de “questa cosa”, que era proteger os fracos e eliminar os opressores.
Ora, vejamos o que diz o item 3, do estatuto do Primeiro Comando da Capital – PCC, criado no ano de 1993, no Centro de Reabilitação Penitenciária de Taubaté, Estado de São Paulo: “A união da Luta contra as injustiças e a opressão dentro das prisões”.
Para se tornar membro, também, à semelhança da extinta máfia italiana, o recrutado tem que passar pelo “batismo” e recebe, igualmente, um número de inscrição. Acontece que, com as constantes disputas territoriais e luta pela hegemonia das cadeias, as facções têm afrouxado o rigor dos recrutamentos, aumentando vertiginosamente o número de inscrições.
O que se percebe com isso é que há mutatis mutandis, um fenômeno social e sistemático na criação das facções criminosas, que seguem um padrão. Assim, precisamos pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro.
O famoso criminoso Al Capone, por exemplo, foi preso pela Receita Federal Norte Americana e, em seguida, julgado pelo crime de evasão de divisas, sendo condenado a 11 (onze) anos de prisão. Foi o começo do fim da máfia italiana.
Precisamos, portanto, rastrear o dinheiro das facções criminosas para que possamos vencer a guerra contra as Organizações Criminosas. Assim, investir em estrutura, qualificação e treinamento das polícias civil e militar é crucial.
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* Guilherme Torres é Delegado de Polícia. Titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos ...