A invasão ocorrida nas proximidades do Parque São Pedro, antiga Invasão da Carbrás, e do bairro Campos Sales, na Zona Norte, mostra que é frágil o controle sobre esses eventos em Manaus. Há vários fatores que provocam essa situação, responsável pela desestruturação da cidade ao longo das últimas décadas.De um lado, o poder público afirma, na maioria das vezes com razão, que os proprietários de terrenos os abandonam, à espera de valorização, tornando-os alvos fáceis da indústria da invasão. Não foi o caso do terreno da Carbrás e nem desse último, de Francisco Lobato – ambos estavam murados e cultivados, bosqueados e abrigando árvores centenárias, nascentes etc. Os invasores não economizaram no vandalismo.
O que fazer, então? Criar uma política de urbanização da cidade. Começando por algo que tenha profundidade até mesmo para reabrir os gargalos deixados pelos “planejadores” da cidade, os líderes históricos da indústria da invasão.
Qual foi o último cadastro de déficit habitacional feito em Manaus? Quem sabe qual é o número real de pessoas que necessitam de habitação, aquelas sem qualquer recurso? Por que não incentivar proprietários de terrenos baldios a fazer loteamentos (e aí vai aparecer o administrador dizendo que eles querem que o poder público faça a infraestrutura, que é obrigação deles, mas não é o poder público que a faz, quando uma invasão se instala?)?
Recorrer à polícia é necessário, num primeiro momento, como forma de dar um choque na indústria da invasão e mostrar que a sociedade não tolera mais esse método. Mas abandonar os verdadeiros home less, sem oferecer alternativa de moradia, é criar um exército de potenciais invasores, à disposição de pessoas sem o mínimo de escrúpulo, especialistas em doutrinação de massas.
Ou se faz uma política de habitação ou Manaus será, eternamente, a terra da invasão. E é injusto deixar tantos manauaras necessitados entregues a esse mundo cão, virando massa de manobra e até, literalmente, boi de piranha, bucha de canhão.