06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

TJAM realiza primeira videoconferência internacional em audiência da Vara da Infância

Publicado em 24 de outubro, 2018

Videoconferência foi realizada na última segunda-feira (Foto: Chico Batata)

Implantado neste ano e com a proposta de dar mais visibilidade a crianças e adolescentes que vivem em unidades de acolhimento à espera de uma adoção, o Projeto Encontrar Alguém da Vara da Infância e da Juventude Cível, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), realizou na segunda-feira (22), a primeira videoconferência internacional com pessoas interessadas em adotar crianças cadastradas no programa.

A videoconferência aconteceu na Aldeia S.O.S, localizado no conjunto Ajuricaba, zona Centro-Oeste da cidade e foi realizada com um casal residente em Paris (França) que, após assistir vídeos divulgados pelo projeto com a história de um menino de 13 anos que está à procura de um novo lar, se interessou pela adoção.

O projeto, implantado pela Coordenadoria da Infância e Juventude (COIJ) quer dar oportunidade à crianças e adolescentes que, por características como idade e condições de saúde, são consideradas de difícil colocação em família substituta para fins de adoção. Foi por meio de um vídeo do projeto, que uma psicóloga brasileira, casada com um francês, se interessou pela história do menino que hoje vive abrigado no Aldeia S.O.S.

Nos últimos meses, o casal vem mantendo contato pela Internet com o menino e na manhã desta segunda-feira, a videoconferência se deu durante um mutirão de audiências realizadas na Aldeia S.O.S, com a presença do defensor público Mário Lima Wu Filho e da promotora Nilda Silva de Sousa.

Durante a reunião, ficou decidido que o casal virá ao Brasil nas férias escolares, a partir do mês de novembro desse ano, para buscar o menino que passará por um período de adaptação em Paris. A ida do menino à França contou com o aval da Defensoria Púbica do Estado do Amazonas (DPE) e Ministério Público do Amazonas (MPE). O defensor público Mário Lima Wu Filho disse que a defensoria trabalha em rede em parceria com o Tribunal de Justiça do Amazonas e o Ministério Público, no sentido de encontrar uma família para as crianças e adolescentes que estão à espera de adoção.

“Nosso trabalho consiste em criar a possibilidade da criança e adolescente acolhida encontrar uma família e, nesse caso, especificamente, foi uma novidade porque a videoconferência tem facilitado o contato da criança com a nova família. Um avanço que a tecnologia tem nos ajudado”, disse o defensor.

A promotora de justiça Nilda Silva de Sousa disse que a videoconferência é uma ferramenta nova no processo de adoção, mas que deixou boas impressões, pois há uma interação entre a nova família, a criança e todos os envolvidos no processo.

“Estamos iniciando agora, mas deu para perceber que é um meio interessante de se ter contato com o interessado e verificar as perspectivas que se tem em relação à criança. No caso do menino, o Ministério Público está muito feliz, porque ele já se sente parte da nova família. Estamos torcendo que essa adoção se concretize e que a criança seja muito feliz”, disse a promotora de justiça.

Já entrosado com a família francesa, o menino estava apreensivo durante a audiência. Logo que viu o casal pela imagem da videoconferência, cumprimentou, como se já fossem seus pais. O menino tomou inclusive a bênção do casal, momento que emocionou a todos que estavam na sala.

Do outro lado do Atlântico, a emoção também era grande por parte do casal. A psicóloga disse que não importa a idade do menino, mas sim, o fato de poder construir uma família. Segundo ela, já se criou uma expectativa tanto para o casal, quando para o menino.

“Quando nos perguntam se temos filho, sempre dizemos que sim e que ele tem 13 anos, porque estamos confiantes que tudo vai dar certo. Somos um casal e acreditamos que, para construir uma família, é preciso três pessoas no mínimo. Tentamos uma adoção aqui na França mas não conseguimos e agora ele apareceu na nossa vida e tivemos uma proximidade muito boa”, disse a psicóloga.

A juíza titular do Juizado da Infância e Juventude Cível, Rebeca de Mendonça Lima, disse que a videoconferência nesse caso é um marco na história da adoção no Tribunal de Justiça. Segundo ela, o interesse de um casal francês por uma adoção tardia difere dos casos de adoção no Brasil.

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