24/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O caos no transporte coletivo

Publicado em 05 de março, 2010

Manaus, tanto por suas autoridades, quanto pela própria população, encara o transporte coletivo com um preconceito inaceitável. Ônibus não é coisa de pobre. É um problema de todos. Ainda mais quando chega ao caos em que se encontra o sistema de transporte coletivo em Manaus.

A repercussão da falta de confiança no transporte coletivo em Manaus é devastadora no trânsito. Diria mesmo que todos os viadutos e todas as passagens de nível da cidade, reunidos, não fazem metade contra os congestionamentos do que faria um sistema confiável, capaz de motivar o dono do carro a deixá-lo em casa e ir trabalhar de coletivo.

Mais importante que isso, porém, é a crueldade com o usuário, obrigado a acordar uma hora mais cedo e a chegar em casa uma hora mais tarde, por conta da espera na parada e dos congestionamentos cotidianos.

Um cálculo para refletir: quem perde duas horas, indo e vindo para o trabalho, de segunda a sexta-feira, acumula perto de 45 dias por ano dentro do ônibus ou esperando por ele. É um período e meio de férias. É qualidade de vida perdida. É força de trabalho desperdiçada. É estresse disseminado na sociedade.

Os vereadores viram uma pequena parte do sufoco. Viajaram num pequeno trecho. Não tinham compromisso com horário. Infelizmente, estavam na viagem apenas seis dos 38 com assento na Câmara Municipal. E é esse o colegiado que aprova o valor da passagem e fiscaliza tanto as empresas quanto à Prefeitura, o poder concedente.

A vereadora Glória Carrate, como diz o Ronaldo no seu blog, foi “encoxada” dentro do ônibus, isto é, aproveitando-se do empurra-empurra e do sufoco da viagem, alguém apertou o corpo contra as nádegas dela. Escandaloso? Sim, mas milhares de manauaras sofrem esse tipo de assédio, diariamente, para ir ao trabalho ou voltar dele. Como saber que isso acontece, mesmo com todas as denúncias que se ouvem nos meios de comunicação, sem viver essa realidade?

Nesse ponto ressalto a necessidade de a sociedade apoiar o Projeto de Lei do senador Cristóvam Buarque, obrigando todos os ocupantes de cargos públicos a, eleito, matricular todos os filhos somente em escola pública e a tratar-se em hospitais públicos. No caso de Manaus, seria profilático obrigar os vereadores a viajar apenas de ônibus. Talvez assim eles se dediquem um pouco mais à fiscalização, cumprindo o dever que lhes foi confiado pelos eleitores.

O monotrilho promete reduzir em meia hora o tempo da viagem entre a Cidade Nova e o Centro da cidade, hoje feita em uma hora. É um avanço. E muita gente passará a deixar o carro em casa e optar por esse sistema, na ida e volta ao trabalho, deixando o veículo particular para o fim de semana. A saída talvez seja por aí, mas por que o sistema de ônibus tem que ser tão ruim? Por que não são limpos diariamente, como manda o bom-senso e o respeito ao usuário? Por que não se estabelece um quadro de horários, com punição para as empresas que não o cumprirem? Por que os empresários mantém uma frota tão velha e a Prefeitura não cobra a renovação? Por que as dívidas das empresas com o poder municipal não são pagas?

O respeito ao cidadão e o combate aos engarrafamentos, um tormento cada vez maior na vida dos manauaras, exigem uma solução urgente para o sistema de transporte coletivo de Manaus. Urgente e dedicada. Porque a população tem a sensação de que não há empenho em solucionar o problema.

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