Aconteceu em Novo Airão, um dos Municípios com mais evidente potencial turístico do Amazonas. Parecia pesadelo. Nem Dias Gomes, em seu imortal “O bem-amado”, poderia imaginar que 13 liminares seriam concedidas, alternadamente, para Wilton Santos e Luiz Carlos Areosa. Mas aconteceu e o povo de Novo Airão sofreu muito sem prefeito e com a consequente paralisia dos serviços.
Agora, por mais surreal que pareça, está acontecendo novamente em Itacoatiara e Manacapuru, com uma instabilidade inteiramente danosa ao interesse público. Nada de defender “A” ou “B”, mas “A” ou “B” precisa logo assumir a administração e colocar a mão na massa.
Coisas urgentes, como pagamentos de salários do funcionalismo – no interior Prefeitura é a maior “empresa” –, recolhimento de lixo e conservação das vias não podem esperar por uma canetada de alguém, no seu gabinete com ar-condicionado, esperando placidamente pela própria boa-vontade.
Vejam bem, só um idiota exigiria a celeridade burra, nesse caso aquela que atropele os trâmites jurídicos e acabe cometendo injustiça, premiando o crime, deixando o “jeitinho brasileiro” vencer, outra vez, em detrimento daqueles que lutam de acordo com as regras eleitorais.
O que falo é daquele operador do Direito que tem nas mãos o processo e recorrendo a manobras protelatórias – talvez até no interesse legítimo do cliente –, sem nem ligar para o sofrimento do povo, está retardando o trânsito em julgado da causa.
O desabafo do bispo de Itacoatiara, Dom Carillo Gritti, deveria ser transformado num grito amazonense. Ele expressou o sofrimento de um Município inteiro. De Manacapuru e Itacoatiara, então, um coro precisa se levantar para exigir da Justiça Eleitoral a resolução dos conflitos que envolvem os prefeitos eleitos e derrotados.
Isso precisa ter um ponto final. A sociedade detesta, desconfia e sofre muito com esse jogo de liminares e o clima de instabilidade que provoca.