De Augusto Bernardo Cecílio
Aproxima-se o Dia dos Professores e surgem algumas perguntas. O tão falado “bullying” só existe quando acontece com alunos? E quando acontecem ameaças, intimidações diversas, agressões, tentativas de assassinatos e outros crimes contra professores? Quem protege os mestres no trajeto e no seu ambiente de trabalho? Quem, na época de eleições, se lembra dos baixos salários e de condições insalubres? Quem tenta evitar que pais utilizem escolas como depósitos de filhos, transferindo responsabilidades pela educação aos educadores? Quem questiona o excesso de direitos e a extensa cobertura dada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA?
Em seu Blog “Falando Francamente”, a pernambucana Amannda Oliveira coloca o assunto em discussão. “Quando eu era estudante do ensino médio, os meus professores me serviam de referência, era possível ser amiga deles. Ao mesmo tempo em que podíamos brincar com eles, havia um respeito enorme por aqueles que nos ensinavam um pouco mais dia a dia. É muito triste perceber que o desrespeito e a violência ao professor imperam no dia de hoje. É terrível perceber como a violência invadiu as salas de aula e que os alunos tem se transformado por vezes em marginais, por pertencerem a famílias desestruturadas, que os criam como bichos soltos no mundo”.
Após a postagem principal, dezenas de professores deixaram seus comentários, aqui transcritos sem citar nomes: “Não se pode descrever o horror das humilhações e coações morais. Só quem passou sabe. Estas agressões, abusos, ameaças estão assassinando o professor “vivo”. Muitos já desistiram, muitos estão de licença, fazendo tratamento, muitos estão abandonando o oficio”.
Margarete Matos Figueiredo dá o seu depoimento: “Sou professora há 24 anos em escola pública e privada e estou atualmente de licença. Doente não só com o desrespeito de alguns alunos, mas também com pais, colegas, poder político, desvalorização do ambiente de trabalho, salário indigno, etc. Já adoeci, estou em tratamento psiquiátrico e psicológico”.
Mais depoimento: “Sou uma otimista incorrigível e ainda acredito que nossos jovens têm jeito, que a educação em nosso país pode tornar-se algo do qual realmente possamos nos orgulhar. Por enquanto, vou tentando entender o que se passa com nossa juventude, com nosso momento pós-moderno, onde a violência, assim como o sexo e o desrespeito total, tornou-se banal. Espero que consigamos sobreviver a esse momento e não desistamos de nosso sacerdócio, mesmo que às vezes nos seja tão penoso ser professor. Nós professores precisamos de apoio, pois diante de algumas situações, muitas vezes, nos encontramos sem saber como agir diante das agressões dos educandos”.
“É impressionante que precise de uma Lei para que os alunos aprendam a respeitar um professor. Esse princípio deveria partir de casa. Minha mãe nunca precisou me ensinar a respeitar meus professores. Respeitava antes de tudo como pessoas que são, muito antes de serem professores. Acho que não só os infratores devem sofrer sanções como também seus responsáveis, pois a ausência de valores e conceitos se deve – e muito – às famílias acharem que a escola deve também educar sua prole, que aumenta a cada dia visando receber os benefícios do governo”.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.