
Unimed tenta jogar cortina de fumaça sobre venda ou passagem da administração para Central Nacional Unimed (CNU)
A Unimed Manaus emitiu nota negando a alienação compulsória da sua carteira de clientes. A nota, publicada na íntegra abaixo, tenta desmentir este portal e jogar uma cortina de fumaça no negócio. A Unimed faliu, recebeu prazo da Agência Nacional de Saúde (ANS), apresentou plano de recuperação, que, sexta (22/06), foi recusado. Agora tenta convencer a ANS de uma saída salomônica, que permitiria à empresa voltar ao comando do plano em sete anos.
O Portal do Marcos Santos publicou a informação de que, após 30 dias da comunicação da alienação compulsória, a Unimed “pode” ir a leilão. Não afirmou, em momento algum, que o plano “vai” a leilão. A nota oficial enviada ao portal nega a alienação, polidamente. Outra, interna, dirigida aos cooperados, espalhada nas redes sociais, nega o leilão de maneira grosseira.
Clique aqui e veja este documento da ANS. Foi enviado dia 22 de dezembro de 2017. Tem nota técnica, anexa, atestando a situação gravíssima da Unimed Manaus. Se você quer conhecer, oficialmente, como foi administrado o dinheiro da cooperativa, leia o documento até o fim.
Esse documento tem um código, no rodapé, para verificação da autenticidade. Basta você levar esse código ao portal da ANS, agência responsável pela fiscalização dos planos de saúde, para checar a veracidade.
A partir desse documento, a diretoria provisória da Unimed foi à ANS, no Rio de Janeiro. Pediu mais prazo para apresentar um plano alternativo de recuperação. A principal alegação era de que a diretoria, presidida por Corina Viana Batista, havia sido destituída. A agência trata de esclarecer que “regimes fiscais” não são dirigidos a pessoas, mas a entidades.
Corina disse, numa Assembleia Geral, em novembro 2017, que a ANS havia determinado a alienação compulsória da carteira. E deu prazo para que a Unimed Manaus demonstrasse capacidade de cumprir o programa de saneamento. Como os cooperados não se convenceram da alienação da carteira, usaram isso para destituir a diretoria anterior.
A nova diretoria, que hoje tem o médico Sérgio Ferreira como presidente, foi eleita e tomou posse em janeiro/ 2018. Ela apresentou o plano alternativo de recuperação da Unimed Manaus.
Sexta (22/06), a ANS disse que o plano alternativo foi recusado. É evidência de que a alienação compulsória está próxima. O portal afirmou que, quando ela vier, a venda terá que ser feita em 30 dias. Se essa venda não acontecer, a Unimed será oferecida ao mercado em “oferta pública”, ou seja, leilão.
Nesta segunda (25/06), numa reunião na 81ª Promotoria de Defesa do Consumidor, a diretoria da Unimed apresentou as duas saídas possíveis. A primeira é o aporte de recursos dos médicos cooperados. Eles teriam que tapar o rombo das dívidas com dinheiro do próprio bolso. Essa hipótese foi rejeitada por um cooperado, presente à reunião. “É a opinião pessoal dele. Mas não podemos tomar decisão com base nisso, antes de ouvir a Assembleia Geral (AGE)”, disse Sérgio.
A promotora Sheyla Andrade, que presidiu a reunião, é a representante do Ministério Público Estadual (MPE) na Unimed.
A Unimed enviou ao portal a Nota Oficial abaixo. Nela nega a alienação compulsória da carteira de clientes. E começa a justificar o negócio que vai propor quinta (28/06), em reunião na ANS, no Rio de Janeiro.
A ideia da diretoria da Unimed Manaus é usar o estatuto das Unimeds, que prevê socorro às associadas. A CNU ofereceria garantias à ANS e assumiria o comando da associada manauara. Em sete anos, as duas partes voltariam a conversar e o comando poderia ser devolvido aos cooperados amazonenses. “Se a Unimed for vendida, o que nós estamos lutando para evitar, não voltará ao comando do plano. Por isso estamos tentando esse acordo com a CNU”, disse Sérgio Ferreira ao portal.
Notícia tem a ética do marceneiro. Assim, como cadeiras e mesas, precisa permanecer de pé. A parceria Unimed Manaus-CNU, negada em Notas Oficiais, está confirmada. Agora aguardemos os acontecimentos.
Nota de Esclarecimento
Em face da matéria publicada no Portal do Marcos Santos, nesta segunda-feira (25/06), sob o título “Exclusivo – Unimed Manaus tem 30 dias para ser vendida ou pode ir a leilão, por determinação da ANS”, a diretoria da Unimed Manaus esclarece:
A atual Diretoria da Unimed Manaus está comprometida com a recuperação da cooperativa e a melhoria contínua do atendimento de seus beneficiários.