04/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Temer recebe Amazonino, mas remete corte de incentivos da ZFM para Receita e Fazenda

Publicado em 01 de junho, 2018

Amazonino se reuniu com Temer

Amazonino tenta evitar a saída das fábricas de concentrados da ZFM, o desemprego e a perda de receita no estado. Foto: Divulgação

O governador Amazonino Mendes reuniu-se, nesta sexta-feira (1º/06), com o presidente da República, Michel Temer, para buscar  uma solução para as empresas de refrigerantes do Polo Industrial de Manaus (PIM), que tiveram incentivos fiscais reduzidos em um decreto do Governo Federal. Amazonino tenta evitar a saída das fábricas, o desemprego e a perda de receita no estado.

Para o governador Amazonino Mendes, o decreto federal – como forma de conter a perda de receita no acordo feito pelo presidente Temer com os caminhoneiros – prejudica diretamente as indústrias de refrigerantes do Amazonas, gerando prejuízo ao PIM, sobretudo as garantias constitucionais à Zona Franca de Manaus (ZFM). É um dos maiores ataques ao polo industrial amazonense.

“A conversa não podia ser outra, sobre essa redução de alíquota abrupta dos concentrados de bebida, inviabilizando por completo os investimentos das empresas na Zona Franca. Mas o que me prendeu na discussão foi a segurança jurídica da própria instituição. Porque essa precedência (decreto) se permitir que atos menores possam derrocar um direito consagrado, inclusive, pela constituição, as suas vantagens comparativas à Zona Franca, então, o país perdeu por completo a qualidade institucional”, comentou Amazonino.

Segundo o governador, após o amplo debate provocado por ele, o presidente Michel Temer determinou ao Ministério da Fazenda e à Receita Federal que as garantias da ZFM sejam cumpridas de forma constitucional, como avalizou há mais de 15 anos o Supremo Tribunal Federal (STF). “Então, esse argumento calou fundo, me parece, e o presidente, que é constitucionalista, ao final de uma ampla conversa e discussão, determinou que a Receita e o Ministério da Fazenda se atenham nessas decisões anteriores que consagram a nossa Zona Franca. Tenho a impressão que nós tivemos uma enorme vitória”, destacou o governador.

Apesar do otimismo do governador, quando o problema passa para a esfera burocrática, a solução é demorada. O decreto do Governo Federal já retirou os incentivos da indústria de concentrados, que é o terceiro maior setor em faturamento e geração de empregos da ZFM e, dificilmente, os técnicos não vão querer voltar atrás.

Prejuízo

O decreto federal publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira reduz de 20% para 4% o incentivo de IPI para o polo de concentrados, sendo este o maior segmento de exportação no Amazonas.

Na prática, se for mantido o decreto, as empresas amazonenses perderão competitividade com os demais estados, ou seja, a empresa poderá deixar de produzir em Manaus e se instalar em um outro local que seja viável economicamente a ela. Com isso, gerará desemprego no estado, além de perda de receita com o ICMS do concentrado que é exportado para os outros estados brasileiros.

Reunião

Participaram ainda da reunião, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia; o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid; os presidentes nacionais da Coca-Cola, Henrique Braun, e da Ambev, Pinto Paiva, além do deputado federal Pauderney Avelino.

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