O manejo de pirarucu executado nos lagos Manarian e Marai Grande, no Município de Carauari (distante 786 quilômetros a Noroeste de Manaus), resultou na despesca de 249 espécimes adultos, com renda de R$ 80 mil para as cerca de 60 famílias envolvidas. A informação é de Renato Carlos Soares e Silva, analista ambiental e engenheiro de pesca do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que participou do Seminário do Comércio Ribeirinho e Solidário, promovido pela Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), na comunidade São Raimundo, a 30 horas de barco da sede municipal, entre 26 e 28 de março.
No lago Manarian, o manejo beneficia a comunidade São Raimundo, entre a Reserva Extrativista (Resex) e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Carauari. No lago Marari Grande, mobiliza a comunidade Xibauazinho. “O manejo de Lagos é uma segurança para o ribeirinho desenvolver um trabalho legalizado e ter uma renda. Além disso, com o manejo, eles fazem o trabalho de preservação que beneficia o local onde vivem e toda a biodiversidade do Amazonas”, afirmou Renato Silva.

Comunidades de Carauari são muito pobres, mas os comunitários estão organizados e fazendo um grande trabalho
A legalização ambiental dos projetos de manejo é parte do trabalho desenvolvido pela Asproc junto aos produtores rurais de Carauari, voltado para 55 comunidades, alcançando 435 famílias e beneficiando 2.269 pessoas em todo o Município.
Durante o Seminário da Asproc, que reuniu mais de 350 produtores rurais, foi realizada uma assembleia geral da Associação, que decidiu pela expansão do manejo de pirarucus para mais sete lagos, três lagos RDS Carauari e dois da Resex Carauari, para serem licenciados pelo Ipaam ainda este ano, nos moldes das duas experiências já em andamento.
“Eles estão fazendo um trabalho fantástico, que me deixou impressionado. As duas comunidades são muito pobres e distantes e o manejo de pirarucu está fazendo grande diferença. E eles ainda podem ter o apoio da Asproc no beneficiamento do produto para agregar valor, conforme sugerimos”, comentou Renato Silva. O Ipaam promete intensificar a fiscalização na época de vazante dos rios, nos meses de julho, agosto e setembro, quando aumenta a pesca ilegal e predatória.
Defeso
Renato Carlos Soares e Silva aproveitou para explicar sobre o Defeso, após ter observado certa desinformação sobre o assunto.
O Defeso, período de proibição da pesca para a reprodução das espécies mais comercializadas, terminou agora em março. No dia 15, matrinxã, pirapitinga, sardinha, pacu, aruanã e mapará saíram do Defeso e, no dia 31, foi a vez do tambaqui. O pirarucu tem a pesca proibida o ano todo, exceto em projetos de manejo ou oriundo de produção em cativeiro.
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