09/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

João Branco, narcotraficante da FDN, é condenado a 30 anos e 2 meses pela morte de delegado. Outros réus somam penas de mais de 72 anos

Publicado em 14 de abril, 2018

Na sexta tentativa de julgar pelo crime do assassinato de delegado, João Branco foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão na madrugada de hoje. Foto: Arquivo

O narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), foi condenado a 30 anos e 2 meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do delegado da Polícia Civil, Oscar Cardoso. O crime ocorreu em 2014. A sentença foi proferida na madrugada deste sábado (14), por volta de 1h.

A Justiça começou ontem (13) a julgar quatro acusados de participação na morte. Além de João Branco, foram condenados Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, a 25 anos e 11 meses de detenção; Diego Bruno de Souza Moldes, que levou 25 anos e 11 meses; e Messias Maia Sodré, condenado a 21 anos e 4 meses.

Mais de 15 horas

Do início do julgamento até o fim, o julgamento levou quase 15 horas, e foram ouvidas oito testemunhas, de um total de 12, sendo duas delas confidenciais. Esta é a sexta vez que a Justiça tentava julgar os réus na Ação Penal nº 0232023-39.2014.8.04.0001.

A defesa dos réus alegou que vai recorrer da decisão. O juiz de Direito Rafael Cró Brito, da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, está presidindo os trabalhos e quatro promotores atuaram neste júri – Laís Freitas, Edinaldo Medeiros, Geber Mafra e Igor Starling.

A participação dos réus foi presencial, com exceção do acusado João Pinto Carioca, que foi interrogado por meio de videoconferência, uma vez que encontra-se no presídio federal de Catanduvas, interior do Paraná.

Em silêncio

Todos os réus permaneceram em silêncio durante o depoimento e a defesa alegou, entre suas teses, que a polícia teria armado uma trama para culpar o narcotraficante e o grupo pelo crime, que teria, na verdade, sido cometido por forças da própria Segurança Pública.

Segundo o Ministério Público, João Branco teria planejado a morte do delegado Oscar na tentativa de se vingar de quem havia participado de suposta tortura e estupro de sua companheira, e acreditava que o delegado, que fazia parte de um força tarefa da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), estaria envolvido.

Homicídio doloso

Oscar Cardoso foi executado com 20 tiros no dia 9 de março de 2014, quando estava numa peixaria, localizada no bairro de São Francisco, zona Sul de Manaus.

Os réus foram condenados pelos crimes de associação criminosa e homicídio doloso, por motivo torpe, meio cruel e por impossibilidade de defesa da vítima.

Crime planejado de dentro do Compaj

De acordo com os autos do processo, João Branco teria planejado o crime de dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Os quatro réus, além de mais dois participantes que foram posteriormente assassinados, teriam utilizado um veículo Fiat Siena branco para efetuar o crime que depois foi incendiado na tentativa de ocultar a prova.

O júri desses quatro réus envolve o trabalho de 78 servidores, entre magistrado, promotores de Justiça, servidores do Judiciário, oficiais de Justiça, além de policiais militares e federais – estes devido à escolta do réu Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, que está preso no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e foi intimado a comparecer ao julgamento.

O Conselho de Sentença foi composto de sete jurados, sorteados um pouco antes do início do julgamento, e que decidem a culpabilidade ou não dos réus.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.