Estamos no início de 2012, mas um grupo de pessoas praticamente perdeu a esperança de ter a melhor notícia dos últimos anos: a volta ao trabalho no Mercado Adolpho Lisboa. O pessimismo tem várias razões, uma vez que a obra, novamente, está parada. Visitei o lugar recentemente e acompanho o drama dos permissionários que estão desalojados do prédio desde 2006.
Nesse passo, nem mesmo em 2014, ano da Copa, a população e os visitantes terão de volta o ponto turístico que tanto encantou pela sua arquitetura. Quem passa pelo local até nota avanços da obra na estrutura, no telhado e na construção de alguns boxes, porém novamente o serviço está estagnado, colocando em cheque a possibilidade de conclusão e retorno de quem ganhava o pão ali.
Essa situação mostra um grave descaso com os permissionários, com o patrimônio público tombado pelo IPHAN, em 1987, e com a cidade de Manaus, órfã de mais um ponto de atração turística e econômica.
A construção do mercado iniciou em 1880 e a inauguração se deu em 1883, ou seja, em 3 anos. As atuais obras estão mais lentas que bicho preguiça, há 6 anos, sendo interrompidas em 2007, pelo IPHAN, por irregularidades nas contas e no processo de restauração tocado pela empresa responsável. São seis anos e um orçamento de R$ 15 milhões.
Com esse orçamento seria possível reformar em tempo normal o Mercado Adolpho Lisboa e a Feira Manaus Moderna. A reforma começou com dinheiro em caixa, já que, em 2000, consegui recursos, via minha atuação parlamentar, com investimento da Suframa.
Precisamos devolver aos permissionários que atuam na área há décadas o direito de trabalhar em um local digno e capaz de receber os amazonenses e turistas. A população precisa ter seu Adolpho Lisboa pronto e bonito, para dar a ele o fim sociocultural e econômico que tanto merece. É preciso dar um basta a essas obras sem fim, que só sangram os cofres públicos e o bolso do cidadão que paga tantos impostos.
* Pauderney Avelino é deputado federal (DEM-AM).