De início, arrisco dizer, sem medo de errar: Todas as organizações criminosas, com exceção daquelas do colarinho branco, nasceram de dentro do sistema prisional. A frase pode parecer paradoxal, mas não é.
Em uma rápida digressão ao ano de 1970, um fenômeno mudaria drasticamente o cenário da Segurança Pública, no Brasil e no mundo, germinava em meio à beleza natural de Ilha Grande, Estado do Rio de Janeiro.
Apelidado de “Caldeirão do Diabo”, o Instituto Penal Cândido Mendes, palco de constantes fugas em massa, misturava, sem individualização de pena, todos os encarcerados do sistema. Desta junção, surgem os primeiros passos de um dos principais neoplasmas sociais, as Organizações Criminosas.
Orientados por presos políticos, presos comuns passaram a agir com disciplina, hierarquia, divisão de tarefas e organização. Cria-se aqui, a primeira Organização Criminosa do Brasil, o Comando Vermelho.
Como se nota, o fenômeno emerge de dentro do Sistema Prisional para fora. É instituída também a “cebola”, taxa mensal que o criminoso, dentro ou fora do Sistema, paga ao Comando da Organização, tornando-se, assim, um negócio lucrativo para as lideranças.
Em 2 de Outubro de 1992, após o episódio que ficou conhecido como “Massacre do Carandirú”, onde 111 (cento e onze) detentos morreram na Casa de Detenção de São Paulo, a massa carcerária se reuniu e, em represália ao Sistema, inspirados nos ideais do Comando Vermelho, criaram uma segunda Organização Criminosa, o Primeiro Comando da Capital.
Não se pode perder da memória, semelhante ao que aconteceu no Presídio de Ilha Grande, o fenômeno novamente emerge de dentro do Sistema Prisional, para fora. Como não poderia ser diferente, no Estado do Amazonas, no ano de 2006, de dentro dos pavilhões da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, ergue-se a facção Família do Norte.
Como se percebe, a crise do Sistema Prisional é um fator sistemático e segue um padrão, o que demonstra que a política do Sistema Prisional nacional necessita urgentemente mudar a forma de atuação. Nas palavras do renomado Albert Einstein: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.
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* Guilherme Torres é Delegado de Polícia. Titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos ...