Feliz 2012! O Ano Novo chegou. Hora de renovar votos, confraternizar com familiares e amigos e projetar os próximos 12 meses. É ano eleitoral e o Brasil reconduzirá os atuais ocupantes a seus postos ou renovará Prefeituras e Câmara Municipais. Quais são nossas esperanças para Manaus?
O ideal seria, como cidade-sede da Copa do Mundo, é que a cidade pudesse entrar para valer na preparação para se colocar à altura da sua mais arraigada tradição, em 2014, e recebesse os visitantes radiante, impecável, pronta a transformar cada um em agente de captação de turistas.
Imaginemos – como sonhou John Lennon – que pudéssemos usar 2012 e os próximos anos para oferecer pelo menos um igarapé totalmente despoluído, onde a água corresse límpida, em frente às casas, e as crianças brincassem nele o dia inteiro. Que os pais lá não depositassem lixo por conta da consciência de que isso atingiria a saúde dos seus pequenos e os filhos aprendessem a amar tanto esses locais, a ponto de transformar esse amor num apelo irresistível até mesmo para os menos sensíveis. E que, diante da alegria irradiada por essa infância feliz, os meios de comunicação mostrassem essas imagens para o mundo e elas se transformassem num atrativo a pais e filhos de outras plagas e estes viessem confraternizar conosco.
Um igarapé despoluído, recuperado, não só é possível como transformaria todos os demais em exemplos do que não fazer. Seriam mais ou menos como a mula sem cabeça dos nossos tempos de criança: “Menino, não joga lixo no igarapé senão ele vai ficar igual aquele outro lá mais na frente”.
O ano de 2012 é, talvez, o eleitoralmente mais significativo para o povo manauara. Vai determinar o prefeito da Copa de 2014, seja porque o eleito permanecerá no cargo ou porque a honraria será transferida ao vice – essa hipótese no caso de o titular renunciar para concorrer ao Governo do Estado. Mas não é de política que falo. É de amor.
A Copa trará para a cidade, a partir deste ano, os primeiros movimentos de pessoas. Já que a Seleção Brasileira não fará jogos em Manaus, vamos receber as seleções de quatro países estrangeiros, um deles cabeça-de-chave, ou seja, campeão mundial, condição em que se encontram Inglaterra, França, Espanha, Itália e Alemanha. Qualquer um desses tem potencial turístico que justifica o cuidado na preparação da nossa estrutura.
A escolha está feita. A hora agora é de trabalhar. Lamento, sinceramente, que o Governo Federal esteja às voltas com tantos escândalos e demore a tomar medidas que ajudem Estados e Municípios a evitar um vexame brasileiro na competição esportiva de maior visibilidade do mundo.
É hora de acelerar obras, Ministério Público a postos, sem hesitações ou protelações. Nada de deixar para a última hora, que já está chegando, com o pressuposto de que as regras serão afrouxadas.
Manaus, faça sua parte, na escolha que virá em 2012. O ideal é que o prefeito hábil consiga captar ajuda externa ou que o administrador capaz transforme os recursos disponíveis em melhorias na infraestrutura.
O eleitor terá, diante da urna, o dedo no gatilho para disparar uma série de eventos que definirão o futuro de Manaus. Feliz 2012.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus