A árvore de Natal da Ponta Negra, que será inaugurada nesta sexta-feira, com a reforma da primeira parte do calçadão, se transformou num desafio para o artista responsável por construí-la, Juarez Lima. Com cerca de 25 anos trabalhando nos bumbás do Festival de Parintins, a maior parte no Caprichoso, onde está hoje, Juarez afirma que é a primeira construída sem a forma de cone e dispensando coluna de ferro interna. “A Estrela de Davi tem seis pontas e a árvore nos cobrou ousadia, uma fórmula diferente, fora do design, da fórmula, do formato de nave que são tradicionais. Essa árvore de Natal foi construída para desafiar a Lei da Gravidade”, afirma.

A árvore de Natal da Ponta Negra é única, sem usar os formatos e fórmulas tradicionais, afirma artista responsável. Fotos: Marcos James/ Divulgação/ Semcom
O artista pesquisou em outros Estados. Viu o trabalho feito na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. “Todas têm coluna interna e formato de cone. Não sou arquiteto, nem engenheiro e tive que apelar para uma forma vazada, que não tira a beleza e permite que o vento passe pela árvore sem derrubá-la”, revelou.
Juarez foi também responsável, com sua equipe, vinda toda de Parintins, também pelas árvores exibidas em outros pontos da cidade, na Cidade da Criança, no Aleixo, na Bola do Coroado, na Bola do Produtor, na Rodoviária e na avenida 7 de Setembro com avenida Eduardo Ribeiro, no Centro.
A árvore da Ponta Negra, porém, é única. Tem quase 30 metros de altura e está amarrada “sem muitos recursos, sem grandes investimentos”, como diz o artista. “É simples e barata, sem muitos andaimes ou elevadores. O vento passa por ela sem fazê-la oscilar, tem visibilidade de 360 graus, com a mesma forma, de estrela, inclusive na parte superior ou inferior”, acrescenta. Na Ponta Negra já foram registrados ventos de até 80 quilômetros por hora, durante temporais.
De onde vem a inspiração? Das arábias. “Os grandes engenheiros que trabalham em projetos árabes tiram areia do mar e fazem sobre ela hotéis em forma de velas. Não é um absurdo. É o homem desafiando a natureza, pelo dom que Deus nos deu de buscar sempre coisas novas para homenageá-lo, na festa de Cristo que é o Natal”, disse.
Mangueiras de LED, piscas-piscas, programação eletrônica com estroboscópio, canhão de laser seguidor e mais de 10 mil lâmpadas completam o trabalho, com iluminação de Afraim Batista, da Focus, que trabalha há muito tempo com os artistas dos bumbás parintinenses. “Ele sabe como harmonizar a iluminação com a nossa concepção. O resultado é que essa árvore não tem nada de boi, nada de carnaval. É cor e luz, é a magia do Natal”, enfatiza Juarez.
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