A primeira etapa da revitalização da Ponta Negra, concebida pelos arquitetos Roberto Moita e Cláudio Nina e executada pela Mosaico Engenharia, está recebendo os ajustes finais, como limpeza e ajardinamento, para a inauguração, que será dia 23 deste mês. “Os operários estão passando um pente fino em tudo, como nas pequenas poças d’água que ainda escapam da drenagem do calçamento, de pedra portuguesa”, disse o engenheiro Jorge Sotto Mayor, responsável pelo trabalho.
O local está pronto para merecer o título que a praia sempre teve, o de um dos mais importantes cartões postais do Amazonas. O calçadão, com o traçado sinuoso, em preto e branco, lembrando o encontro das águas dos rios Negro e Solimões, ficou perfeito. Ele foi copiado pelo paisagista Burle Max do calçadão da praça de São Sebastião, no Centro de Manaus, e aplicado no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde se tornou mundialmente famoso.

A calçada leva o traçado criado para lembrar o Encontro das Águas, levado por Burle Max para Copacabana, onde se consagrou internacionalmente
São 17 mil metros quadrados de calçada, incluindo os 6 mil metros quadrados que ainda serão construídos, margeando a faixa de areia, na praia em fase de perenização. Soto Mayor informa, porém, que uma parte fundamental do trabalho está escondida. “Essa calçada tem uma base com 30 centímetros de malha dupla de ferro e concreto, uma ‘farofa’ de cimento e areia (‘concreto magro’), com 12 a 17 centímetros de espessura, mais 10 centímetros de concreto estrutural e, finalmente, a manta de pedra portuguesa”, revela.
Os calceteiros, contratados em Minas Gerais, resgatam para o Amazonas uma tradição de construção de calçadas trabalhadas ao estilo e qualidade artesanal consagrados pelos portugueses. “A gente aproveitou para formar mão de obra local”, conta Jorge Sotto Mayor.
Tratamento biológico de resíduos
A preocupação com o meio ambiente não foi esquecida. Além da drenagem, que joga uma parte da água para os canteiros do próprio calçadão e outra para a rua, foram construídas duas estações de tratamento de resíduos sólidos. Uma das novidades é a depuração da água, que será feita por oxigenação proporcionada por uma planta amazônica, a manduba. “Ela puxa o oxigênio do ar e joga na água”, explica Sotto Mayor.
Anfiteatro
O anfiteatro da Ponta Negra, um dos locais do réveillon deste ano, recebeu uma marquise nova, com sete módulos, 50 toneladas de ferro e 1.410 metros quadrados de área. O revestimento foi feito com um produto nobre na construção civil moderna, o ACM (painel de alumínio composto).
Ajardinamento
O trabalho de ajardinamento, executado pelo agrônomo Wilson Wolter, foi uma ideia do prefeito Amazonino Mendes. “Ele visitou a obra, gostou do que viu, mas, com toda razão, achou que estava meio vazio e nos pediu para contratar o Wolter para enriquecer o paisagismo”, disse Alessandro Rodrigues, um dos engenheiros residentes.
Wolter caprichou. “Em torno da fonte, que fará a água dançar ao som da música, fiz um desenho das palmeiras para lembrar a música ‘Côncavo e convexo’, de Roberto Carlos”, afirma. Ao lado do anfiteatro, o jardim lembra duas mãos, como se estivessem espelhadas, com as mesmas plantas de um lado e de outro.
Praia
No réveillon deste ano, o público que estiver no anfiteatro terá uma pequena amostra do que será a praia perenizada da Ponta Negra. Atrás do local, a areia retirada do rio Solimões, que é mais escura, já está sendo recoberta por areia do rio Negro, mais branca, como ocorrerá em toda extensão a ser perenizada, à guisa de acabamento.

Está surgindo uma nova praia, com tecnologia cabocla, a um décimo do custo das obras feitas em Dubai
Nesta primeira etapa, a perenização vai atingir do hotel Park Suítes até o fim do anfiteatro, com uma faixa perenizada de 40 metros de extensão, entre o calçadão e o rio.
“A gente ouve falar que, em Dubai, os engenheiros estão construindo ilhas e mais ilhas, com areia retirada do fundo do mar, e quando eu vi isso aqui, na praia da Ponta Negra, fiquei maravilhado. Isso mostra que a gente também pode fazer essas coisas”, disse o artista plástico Juarez Lima, do boi bumbá Caprichoso, de Parintins, que está executando a árvore de Natal da Ponta Negra. “Acho que essa (a faixa de areia) é a parte mais bonita da obra”, acrescentou Juarez.
O trabalho de perenização só deve estar completo no mês de março porque o rio já começou a encher. “Agora as coisas vão ficar um pouco mais lentas, mas não vamos parar”, prometeu Sotto Mayor.
Mão de obra
Para entregar essa primeira etapa da Ponta Negra, que custou R$ 29 milhões, a Mosaico Engenharia empregou 250 trabalhadores, com oito horas de jornada por dia, num total de 240 mil horas trabalhadas.
FICHA TÉCNICA DA OBRA
Calçada
1 milhão de toneladas de pedra portuguesa
17 mil m2 de área
30cm de malha dupla de ferro e concreto no piso
12 a 17 cm de “concreto magro”, básico
10 centímetros de concreto estrutural
Manto de pedra portuguesa, colocada por calceteiros vindos de Minas Gerais
Marquise do anfiteatro
7 módulos
50 toneladas de ferro
350 m2 de concreto
Revestimento em ACM (Alucobond)
1.410 m2 de área construída
Fonte
560 fontes RGB (as três cores básicas, vermelho (Red), verde (Green) e azul (Blue))
Cerca de 500 m2 de espelho d’água
Mão de obra
250 trabalhadores
8 horas de jornada por dia
240 mil horas trabalhadas
Praia
1 milhão de m3 (metros cúbicos) de areia
40 metros de faixa de areia perene
170 x 650 = 105 mil m2 de área
Entre a frente do anfiteatro e o hotel Park Suítes
250 metros de extensão a mais previstos para a segunda etapa, do anfiteatro à prainha (atrás das barracas de coco).
Estação de tratamento de resíduos
2 estações
Tratamento à base de manduba, árvore regional que puxa o oxigênio do ar e joga na água, recuperando suas qualidades
Jardim
20 mil m2 de grama
8 palmeiras replantadas, retiradas da Ponta Negra antiga
Arquitetos
Roberto Moita
Cláudio Nina
Engenheiros residentes
Adriana Oliveira
Alessandro Rodrigues
Engenheiro responsável
Jorge Sotto Mayor
Empresa executora
Mosaico Engenharia
Custo total
R$ 29 milhões
Contratante
Prefeitura de Manaus
Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf)