18/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ritos não salvam

Publicado em 19 de dezembro, 2011

Oito séculos antes da encarnação e nascimento do Filho de Deus, Jesus de Nazaré, o próprio Criador dos céus e da terra profetizou, por intermédio de Isaías, que antes do aparecimento do Messias-Salvador, ele enviaria um precursor para preparar as pessoas para ouvir o evangelho da própria boca daquele que era e é a Palavra de Deus encarnada, Jesus Cristo.

E de fato assim ocorreu, pois, João Batista, o precursor prometido pela profecia, apareceu primeiro do que o próprio Jesus e preparou todos os seus contemporâneos para a chegada do Salvador. E ele o fez pregando o batismo de arrependimento, isto é, um batismo baseado no arrependimento genuíno de todos aqueles que reconhecessem seus pecados e o justo juízo de Deus sobre os mesmos, pois, o pressuposto do arrependimento é tanto a pecaminosidade humana quanto a santidade divina, que não deixa o pecado impune.

E sabe como ele preparou, sob divina orientação, a todos para encontrar-se com Jesus? Convocando-os para se arrepender e se batizar, como evidência externa de uma conversão interna em virtude do arrependimento sincero.

Sim, eu posso imaginar João Batista percorrendo toda a região do Jordão, pregando sua mensagem e finalizando com o seguinte convite: “Eu estarei no rio Jordão e todos os que se arrependerem e crerem na mensagem pregada por mim, me procurem para ser batizados!” E de fato isso ocorreu em uma escala que o próprio João Batista deve ter se assustado e impressionado, pois, a Bíblia diz que as multidões foram até ele para ser batizadas.

No entanto, insatisfeito com aquela reação em massa, João Batista questionou os motivos e as intenções das multidões, confrontou-as com uma mensagem ainda mais dura e pesada dizendo: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” Quando se colocava fogo no mato era comum naquela época observar as víboras fugindo do fogo e, na visão de João Batista, aquelas multidões estavam agindo exatamente como as víboras, pois, estavam querendo fugir do juízo divino, não através do arrependimento, como pregado por ele, mas, por meio da confiança no rito do batismo.

Lamentavelmente, até hoje as multidões transformam os ritos e cerimônias em talismãs ou amuletos, crendo que a simples participação nos mesmos transmitirá a graça que lhes assegurará proteção divina. O erro crasso e básico desta confiança é depender do rito em si mesmo e por si mesmo e não do Salvador. Os ritos são simbólicos e devem externar de forma concreta realidades subjetivas para que todos saibam o que lhes ocorreu.

O batismo de João era um batismo de arrependimento, isto é, administrado sobre uma vida de fato arrependida, mas, se o arrependimento inexistisse, de nada adiantaria submeter-se a ele, pois, o rito e a cerimônia do batismo nada podem fazer para assegurar livramento da ira divina e o seu perdão gracioso. De fato, uma religião que gera dependência institucional e ritual aparentemente faz o bem, mas, na realidade surte efeito contrário, pois, desvia as pessoas da genuína conversão a Deus.

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Autor
Jorge Max

Jorge Max é pastor da Igreja Batista Constantinópolis, em Educandos.

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