
Braga comenta Operação Custo Político, que prendeu ex-secretários e empresários
O senador Eduardo Braga afirma que os crimes apontados nas operações Maus Caminhos e Custo Político não atingem seus governos. Ele avisa: “O povo, bem ao mal, se informa e sabe quais são os culpados”. Depois dos questionamentos levantados pela coluna Panavueiro, o senador ligou ao portal. Questões como projeto político de 2018 e possível guerra com o também senador Omar Aziz também são abordadas nesta entrevista. Ele evita criticar o governador Amazonino Mendes e até diz que “é natural a candidatura à reeleição” dele. Braga reclama da crise na segurança, fala da chacina da Compensa e do contrato da Umanizzare. “Vai fazer um ano do massacre do Compaj e a Umanizzare continua com um supercontrato“. E dá conselhos a quem governa ou governará o Amazonas: “Fiz a Ponte Rio Negro, o Prosamim e estradas. Esse é o caminho e não a estagnação que se seguiu a todo esse esforço”.
Veja, abaixo, a íntegra da entrevista do senador ao Portal do Marcos Santos:
Senador Eduardo Braga – Acho que, como toda e qualquer denúncia, ela precisa ser investigada. As pessoas têm amplo direito de defesa, mas, se restar provadas as questões, que os culpados respondam perante a lei.
Braga – Mas nada disso têm a ver com a minha gestão. Na minha época não existia nem esse Instituto Novos Caminhos.
Braga – Não tinham nenhuma participação, àquela altura, com absolutamente nada dessas coisas denunciadas agora. Eu não tenho nenhuma participação nisso. Não há nenhum envolvimento do meu governo nos crimes denunciados. Resta à população ver quais governos estão envolvidos. Hoje o povo se informa. Bem ou mal o povo está informado e sabe muito bem quais governos são acusados.
Braga – A situação é grave. Diria gravíssima. Saúde e segurança são os maiores desafios do Amazonas neste momento. E o que faltou não foi recurso para a saúde. O que faltou, na minha opinião, foi gestão, vontade política e transparência. O preço que o povo pagou com isso foi muito grande. Não há dúvida. A crise dos renais crônicos do Amazonas nunca foi tão tenebrosa como nos últimos anos. O desabastecimento das unidades de saúde, na capital e no interior, é inacreditável. Áreas especializadas, como o hospital do câncer (FCecon), Adriano Jorge e Alfredo da Mata, estão absolutamente negligenciadas.
Braga – Durante a campanha eu disse. Primeira coisa a fazer é acabar com os contratos. Fim deste ano completa um ano do escândalo do massacre na Anísio Jobim (Compaj) e a Umanizzare continua administrando presídios com um supercontrato. Como se nada tivesse acontecido. Também não faltou dinheiro para o sistema prisional. É outro escândalo. Segurança pública no Amazonas veio se desgastando a tal ponto de acontecer o que aconteceu recentemente.
Braga – Além da chacina, como apareceu essa facção, que faz comemorações como se fosse algo positivo (a FDN)? E absolutamente não é. Agora o que estamos começando a ter no Amazonas é disputa de facções. Com ruas inteiras, bairros inteiros, municípios sendo controlados, enfim…
Braga – Ainda é muito pouco tempo para uma avaliação. Ele quando chegou estava sem orçamento. Pelas próprias declarações dele tem tido dificuldade para restabelecer o controle da máquina. Acho que nem cem dias se passou da posse e venho, de forma correta, esperando para poder avaliar. Vamos ver o orçamento que ele vai executar (2018) e poder avaliar o que avançou e o que não avançou.
Braga – Venho conversando com meu grupo, com meu partido, meus companheiros e acho que esse seria um caminho normal. Poderia disputar uma das vagas para o Senado. Como senador tenho buscado caminhos para o Amazonas. Estamos concluindo a liberação de recursos do Governo Federal para o interior e para o Governo do Estado. Tenho ajudado muito à população, principalmente na área de saúde. Conseguimos liberar R$ 100 milhões, na área de saúde, para o interior. São UBSs fluviais, reformas, compras de equipamentos, custeio da saúde… Tudo isso conseguimos este ano.
Braga – Ao longo deste mandato eu posso me orgulhar de ter conseguido ajudar na prorrogação da Zona Franca. Também contribuí para acabar com a Guerra dos Portos, que prejudicava a Zona Franca. Aprovei a Lei do Tablete, que reinseriu o Amazonas na área dos bens de informática. Corrigimos um passivo histórico da União com o Amazonas, que era o Fundo de Participação do Estado. Elevamos o percentual para 2,8%, com grande ganho para o Amazonas. Tenho muitos serviços prestados ao Amazonas e aos amazonenses. Acho que posso ajudar muito para enfrentar problemas e redesenhar planejamento econômico, social e ambiental do Amazonas. O Estado precisa de novo modelo. A Zona Franca não nos basta mais. Precisamos avançar numa indústria de transformação. Essa luta não pode ser abandonada, nem esquecida. São bandeiras que eu defendo em Brasília e espero continuar defendendo.
Braga – As correlações de forças ainda não se definiram. A única questão que temos posta, me parece, é a candidatura à reeleição natural do atual governador. Isso deverá ser uma das postulações dele para 2018. Como a correlação de forças da política vai se estabelecer? Depende ainda de muitos interlocutores. Depende da posição do prefeito de Manaus, por exemplo. Ele está pré-candidato a presidente, mas tudo indica que o partido dele caminha em outra direção.
Braga – Não. Em absoluto. Não estou em guerra com ninguém. Estou lutando pelo Amazonas. Luto para arrumar recursos para o Amazonas e representar as pessoas que me colocaram como senador. São esses que, ao longo da minha vida, sempre me respeitaram, me deram oportunidades. Mas não estou em guerra com ninguém.
Braga – Temos que ver como vencer a crise no Amazonas. Vamos disputar eleição onde Amazonas e Brasil ainda vão estar numa crise como nunca na história. Quem analisa a economia brasileira sabe que nunca tivemos um período de crise tão longo como estamos vivendo. É preciso responsabilidade e espírito público. Não ajuda o desequilíbrio, o desespero e a desunião, neste momento, em torno de questões centrais do Amazonas. Ao contrário.
Braga – Não sou mais candidato a governador. Já disse que me encaminho para a disputa da reeleição. Então posso dizer: precisamos pensar em estruturar o Amazonas. Mudar o rumo. O Estado precisa caminhar como caminhei, construindo obras como a Ponte Rio Negro, o Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus) e as estradas. Vamos lembrar? Fiz as estradas ligando Autazes à BR-319, Manaquiri à BR-319 e Benjamin Constant a Atalaia, entre outras. Isso é obra estrutural. Tinha esperança que isso tivesse continuidade. Obras como essas são fundamentais. Se pudesse dar um conselho a quem governa ou governará o Amazonas diria: siga por esse caminho. Não dá é para cruzar os braços e ver a estagnação que ocorreu após todo esse esforço.