16/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Henry Maksoud e nós

Publicado em 24 de novembro, 2011

Nesta sexta-feira, em São Paulo, um leilão acaba de arrematar o hotel Maksoud Plaza, por R$ 70 milhões, para pagamento de dívidas trabalhistas. O empreendimento, com 22 andares e 7,3 mil metros quadrados, está avaliado em R$ 140 milhões, mas um único comprador pagou o preço mínimo e o pregão demorou apenas três minutos. Uma liminar, do desembargador paulista Luiz Antonio Moreira Vidigal, suspendeu os efeitos do leilão e o vencedor terá que esperar o julgamento do processo, com a diretoria do hotel afirmando já ter quitado a dívida, que é de 1990.

O que isso tem a ver conosco?

Estivemos, eu e os deputados Marco Antonio Chico Preto e Adjuto Afonso, reunidos em São Paulo com o empresário Henry Maksoud, no dia 11 deste mês de novembro, conforme meu artigo anterior, discutindo a situação do empreendimento localizado no ponto mais nobre da Ponta Negra, em Manaus.

Henry, muito solícito, hábil e elegante, apresentou-nos uma série de argumentos que atestariam a saúde financeira de sua empresa, sociedades expressivas e disposição de concluir o hotel de Manaus até a Copa do Mundo de 2014.

Não posso dizer que não fiquei surpreso, mas, ao mesmo tempo, otimista. Qualquer solução fora do Grupo Maksoud implica demanda judicial, que pode ser arrastada por muitos anos e com certeza tirará o hotel do horizonte da Copa na capital amazonense. Depois do evento, nossa força para atrair investidores ficará menor, embora haja interesse de um grupo empresarial local e outro holandês em dar continuidade ao projeto.

Voltei otimista, confesso, diante da possibilidade de um atalho para algo que considerávamos perdido.

Mantenho o otimismo e o voto de confiança, mesmo diante do leilão do hotel, em São Paulo, no aguardo dos próximos acontecimentos.

Henry Maksoud está consciente de que os prazos estão apertados. O Departamento Financeiro e Recuperação de Projetos (DFRP) do Ministério da Integração, cujos técnicos estiveram em Manaus dia 17 de outubro, vai exarar um relatório nos próximos dias, com o Raio-X da situação do empreendimento, enredado em problemas com empréstimo de R$ 10,8 milhões, do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam). Tem acusação de uso de laranjas e emissão de Notas Fiscais frias pelo meio.

Nós, integrantes da Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), criada para tratar o ‘Caso Maksoud’, não vamos apreciar tudo de camarote. Queremos solução, sinais, gestos concretos dos atores envolvidos, que até então eram desconhecidos da população amazonense e trouxemos à tona.

Pergunta-se: a cidade do Rio de Janeiro pode abrir mão da esquina onde se localizam o hotel Copacabana Palace de um lado e o hotel Meridien do outro, permitindo que o cenário seja dominado por ruínas? Claro que não. Do mesmo modo, nenhum amazonense admite que os escombros do Maksoud continuem a tomar conta do ponto mais privilegiado da Ponta Negra, no encontro do Tarumã Açu com o rio Negro.

Tomara que Maksoud se livre dos problemas que levaram ao leilão do hotel, cujos efeitos estão suspensos liminarmente, e possa dedicar toda atenção à construção de seu empreendimento em Manaus. Se isso não for possível, nossa luta se torna mais difícil, mas não vai esmorecer.

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Autor
Marcos Rotta

* Marcos Rotta é deputado estadual, vice-presidente da Assembléia Legislativa e presidente da Com...

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