17/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Continuação de filmes como “Cidade de Deus” teria foco nas facções criminosas, como FDN, PCC e Comando Vermelho

Publicado em 12 de novembro, 2017

Para diretor de “Cidade de Deus”, foco de uma sequência do filme seria sobre as grandes facções criminosas do País, como PCC, CV e a local FDN

Quinze anos depois de dois filmes emblemáticos e com foco na segurança pública, violência, corrupção e tráfico de drogas do Rio de Janeiro e que se repete em grandes capitais brasileiras, “Cidade de Deus”, e dez de “Tropa de Elite”, pouco mudou na realidade brasileira.

Cineasta de “Cidade de Deus”, o diretor Fernando Meirelles diz que uma continuação do filme teria outro enfoque na insegurança vivida no momento atual e da declarada falta de capacidade do Estado agir para combater o tráfico, muitas vezes sendo necessário recorrer às Forças Armadas.

Leis próprias

Uma continuação colocaria a lupa em cima de um mundo com leis próprias que tomam conta desde favelas no Rio até cadeias no Amazonas, e que se transformaram em indústrias do crime: as facções criminosas.

Meirelles vê a criação de espécies de grandes empresas distribuidoras de drogas, que passaram a controlar várias comunidades e a disputar o controle das cidades.

Elas são o CV (Comando Vermelho) e ADA (Amigos dos Amigos), citadas como as maiores. “Hoje já há grupos trabalhando pelo controle nacional como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e a FDN (Família do Norte). Imagina-se que o próximo movimento deverá ser ligações mais fortes com o mercado internacional, que já deve existir em algum nível dado o volume que estas grandes empresas nacionais negociam”, comenta o cineasta.

Lógica

“Essa ideia de franquia de droga era nova na época”, falou Meirelles em entrevista ao jornal O Globo, analisando o que mudou desde a conjuntura da “Cidade de Deus” de Zé Pequeno.

A lógica do tráfico não parece ser diferente da lógica do mercado, o apetite é igualzinho, o que muda são as armas. Bala de um lado, marketing do outro.

Massacre

O massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no primeiro dia deste ano, foi mais um capítulo da disputa de poder entre as maiores facções criminosas do País, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, e revela como o tráfico transnacional de drogas transformou-se em uma atividade bem organizada.

Responsável pelas mortes, a FDN é um dos grupos que surgiram nos Estados para conter o PCC – a FDN é apontada pela Polícia Federal como a terceira maior facção do País.

A Família é resultado da união de dois grandes traficantes, Gelson Lima Carnaúba, o “Gê”, e José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto”.

O grupo foi alvo da Operação La Muralla, em 2015, flagrado movimentando milhões por mês com o domínio da “rota Solimões” – usada para escoar a cocaína produzida na Bolívia e no Peru por meio dos rios da região amazônica.

Independente

Mesmo aliada do CV, a FDN nunca foi subordinada a nenhuma outra organização. No inquérito que deu origem à La Muralla, os investigadores perceberam que o PCC estava “batizando” criminosos amazonenses de modo a aumentar a presença no Estado. Essa ação desagradou a FDN, que ordenou a morte de três traficantes ligados à facção.

À época, CV e PCC eram aliados e mantinham negócios juntos, e a FDN estava fragilizada pela Operação La Muralla. Cerca de um ano após iniciar a perseguição ao PCC, e agora com o apoio do CV, a FDN pôs em prática o plano de acabar com a facção paulista no Amazonas.

Favelas

Atualmente, o PCC domina o tráfico de drogas na favela da Rocinha, no Rio, o que aumenta a tensão com o CV. Com mais de 100 mil moradores, a favela é considerada pela polícia a área do Rio onde o tráfico de drogas é mais rentável, alimento o ciclo vicioso do crime.

A comunidade era dominada pela Amigo dos Amigos, rival do CV. O PCC firmou uma parceria com a ADA, aliança que começou na rua e teve reflexos nos presídios. Em Bangu 4, bandidos que aderiram ao PCC pediram transferência para uma ala destinada à ADA.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.