14/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Theatro da Paz, em Belém, livre dos cupins e pronto para reinauguração

Publicado em 01 de novembro, 2011

O Theatro da Paz, uma das joias resultantes do Período Áureo da Borracha na Amazônia, inspirado no Scala, de Milão, por muito pouco não foi jogado ao chão pelos cupins. Fechado em fevereiro deste ano, o local recebeu uma verdadeira obra de salvamento e será reaberto no dia 8 de novembro, com o X Festival de Ópera, numa encenação da ópera “Tosca”, de Giacomo Puccini. O esforço emergencial de salvamento custou exatos R$ 1,514 milhão.

Joia arquitetônica paraense está, outra vez, reluzente

Os cupins foram detectados em março do ano passado, quando o forro de entrada da casa desabou, mas só em março deste ano é que o tamanho do problema ficou claro. Contratado às pressas pelo atual governo paraense, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) apresentou relatório técnico afirmando que os cupins estavam na cobertura, em móveis, cadeiras de palha da plateia, portas e até na madeira sob o veludo vermelho que cobre as divisórias dos camarotes e os parapeitos.

As vigas de madeira que sustentam o telhado e o forro do teatro, porém, eram o maior problema. Carcomidas por cupins, as vigas seguram os dutos de ar condicionado e o forro de sustentação do teto, onde fica a famosa obra do pintor italiano Domenico de Angelis, com a chegada do Deus Apolo na Amazônia, ladeado de todas as musas das artes.

A solução técnica foi instalar novas vigas, de aço, e transferir para elas as cargas dos dutos e do forro. “Instalamos quatro vigas de aço, com 24,5 metros de comprimento por 1 metro de altura. Cada uma pesa nada menos que 2.400 kg”, conta o engenheiro civil Mourão Carrera Cardoso Jr., coordenador técnico da Nucleo de Gereciamento da Integração Cultural do Pará (NGICP). No dia 27 de outubro, tudo ficou pronto, segundo a empresa.

Tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Theatro da Paz foi inaugurado em 15 de fevereiro de 1878. O prédio foi decorada com bronze, cristal e porcelana vindos da França, ferro, da Inglaterra e Bélgica, mármores italianos de diversas qualidades e um lustre do salão de espetáculo dos Estados Unidos. O chão do Theatro é composto por madeiras amazônicas, pau amarelo, pau vermelho e acapu.

O Pano de Boca, atribuído ao cenógrafo francês Carpezat, mostra a união dos povos com a chegada do período republicano, na pintura denominada “Alegoria à República”. A pintura do teto do Salão Nobre (Foyer) é do artista Armando Balloni. Esse espaço é decorado com espelhos e lustres em cristal francês, além dos bustos dos grandes maestros Carlos Gomes e Henrique Gurjão. A fachada do prédio ressalta as quatro musas da arte: Tragédia, Música, Poesia e Comédia. Fazem ainda parte da decoração as estátuas do Dia e da Noite, assim como outras alegorias da mitologia grega.

 

Descupinização paralela

A descupinização do teatro foi acontecendo de forma paralela às obras de instalação das vigas de aço. Primeiro, foi criada uma barreira química em volta de todo o teatro, para evitar que os cupins de solo retornem. Para tanto, os técnicos perfuraram o solo a cada 50 cm e injetaram veneno, por três vezes seguidas.

Dentro do teatro, absolutamente todas as peças de madeira, centímetro por centímetro, também receberam tratamento à base de veneno, serviço que terminou na terça-feira 11/10. Foram substituídas quatro portas, quarenta cadeiras e muitas ripas que sustentam as telhas. O piso do fosso da orquestra também teve que ser integralmente trocado, assim como as vigas de sustentação, existentes acima de uma cisterna construída embaixo do palco.

Além disso, aproveitou-se a oportunidade e foram realizadas algumas obras adicionais: a vegetação nas paredes do teatro foi erradicada e todos os camarins receberam pintura nova. E como o veludo vermelho que cobre os parapeitos e divisórias também tiveram que ser trocados, desta vez comprou-se tecido anti-chama.

 

Reabertura

O prédio será reaberto em grande estilo, dia 8/11. A “Tosca”, além da abertura, tem récitas programadas também para os dias 10 e 12. Há eventos artísticos durante todo o mês, e de todos os tipos: a montagem encenada de “Carmina Murana”, um espetáculo reunindo os principais balés que fazem parte de óperas famosas (com orquestra  ao vivo), além de recitais líricos, operísticos e de canções.

O encerramento, dia 3 de dezembro, receberá um grande concerto ao ar livre, em frente ao teatro, reunindo nada menos que duas orquestras, dois corais, dois grupos de balé e os principais cantores que participaram do evento. Um show de fogos de artifício do mesmo quilate dos que acontecem em São Paulo e Rio de Janeiro, no final de cada ano, marcará o último momento do evento.

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