06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Prefeito mantém firme pré-candidatura à Presidência da República nas prévias tucanas. Leia carta

Publicado em 03 de outubro, 2017

Prefeito de Manaus voltou a ser foco da mídia nacional para disputar as prévias tucanas à Presidência da República para as eleições de 2018. Ele enviou carta ao presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati. Foto: Divulgação

Depois de dar entrevista à revista Veja, anunciando sua pré-candidatura à Presidência da República em 2018, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), voltou a afirmar sua disposição de disputar as prévias tucanas para escolher o nome que irá concorrer ao cargo.

Nesta segunda-feira (2), uma carta enviada ao presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati, circulou na imprensa nacional, nos jornais Folha de S.Paulo e O Globo, mostrando Arthur como uma segunda via contra a iniciativa velada da disputa entre João Doria, prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador paulista.

O prefeito de Manaus publicou um artigo no blog do jornalista Ricardo Noblat e, na coluna Expresso, na revista Época, Arthur diz que se dedicará às prévias para o Planalto somente nos finais de semana, e alfineta Doria, que faz constantes viagens em velada pré-campanha em dias de semana.

Na carta, o tucano critica os políticos paulistas que seguem numa “disputa inglória, tangenciam os problemas reais e se perdem em levezas, como se a solução para a crise brasileira pudesse caber em fórmulas de vencer convenções e se pôr à espera de votos úteis”, diz.

Como Alckmin, Arthur defende prévias para definir o presidenciável tucano, o que não agrada Doria. Ex-senador, três vezes prefeito e ex-deputado, o prefeito de Manaus defende uma candidatura que não ignore o Brasil como todo e suas regiões periféricas, que vai além da dualidade de poder disputado em São Paulo.

“Tudo pelo direito de enfrentar um Lula minoritário, prestes a ser engolfado pelas consequências dos delitos que perpetrou. Disputarei as prévias para a Presidência da República, no PSDB, porque é hora de falar a linguagem do Brasil. É hora de o Brasil se voltar para o Brasil e deitar um olhar inteligente e generoso sobre suas regiões periféricas”, complementa, na carta.

Outro ponto citado como prioridade de sua campanha é a responsabilidade fiscal, além do combate à “crescente proeminência das facções criminosas que oligopolizam a violência e o tráfico de drogas”, entre outras.

“Enfrentarei a luta com honra e dedicação. E essa luta precisará ser aberta e focada tanto no front interno quanto na sociedade ampla, externa ao PSDB. A depender de mim, os debates entre os pré-candidatos haverão de ser frequentes, francos e, sem dúvida fraternos com os brasileiros perplexos de hoje”, finalizou.

Páginas amarelas

Nas páginas amarelas da revista Veja, publicada no dia 21 de setembro, Arthur Virgílio Neto anunciou pela primeira vez querer ser candidato à Presidência da República. Na entrevista ao jornalista João Pedroso Campos, o prefeito de Manaus, um dos mais fervorosos opositores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2010. “Se for para enfrentar o Lula eu sou doutor”, disse o prefeito, à revista.

Na entrevista, o prefeito destaca o êxito como gestor público da quarta cidade do País com melhor situação previdenciária, a capital mais equilibrada no plano fiscal e que mantém os salários em dia, graças a uma saúde financeira e equilíbrio orçamentário, combinados com a realização de obras de infraestrutura e serviços fundamentais.

 

Leia a carta na íntegra:

Caro Presidente,

Senador Tasso Jereissati,

Em atenção ao disposto nas normas internas de nosso Partido, externo-lhe minha determinação de disputar, obviamente que sem a leviandade de trocar de sigla, o próximo pleito presidencial. Oficializo, portanto, neste ato, a candidatura no contexto das prévias, estabelecidas no artigo 151 e seguintes dos estatutos partidários.

De início, proponho a realização de debates, em cada estado da federação, visando a conquistar legitimidade e coesão interna rumo a uma vitória justa e natural do povo brasileiro. Temas como a verdadeira responsabilidade fiscal; a crescente proeminência das facções criminosas que oligopolizam a violência e o tráfico de drogas; as políticas públicas que acendam luzes no campo da educação, da saúde, da ciência e tecnologia, da política exterior, dentre tantos outros, são pontos essenciais à compreensão não cosmética do Brasil que temos vivido.

Do mesmo modo, solicito ao ilustre companheiro que determine o envio dos nomes e e-mails dos membros do Diretório Nacional; dos delegados dos estados e do Distrito Federal; dos deputados federais e senadores; dos governadores, deputados estaduais e distritais e dos membros dos diretórios estaduais; dos prefeitos, membros dos diretórios municipais e dos vereadores.

Enfrentarei a luta com honra e dedicação. E essa luta precisará ser aberta e focada tanto no front interno quanto na sociedade ampla, externa ao PSDB. A depender de mim, debates entre os pré-candidatos haverão de ser frequentes, francos e, sem dúvida fraternos com os brasileiros perplexos de hoje.

Saudações tucanas,

Arthur Virgílio Neto

 

Leia o artigo publicado pelo prefeito no Blog do Noblat:

Brasil Justo e Contemporâneo

O quadro é pobre e de descrença nas soluções públicas. Aventureiros iludem quem não se deixará iludir no momento decisivo. Declarações levianas competem com a lógica falsa de pré-candidatos do meu partido, que supõem estar competindo entre eles, “legitimados” por uma espécie de direito que não é nem justo e nem natural. Oportunismo de surfistas versus um certo etnocentrismo paulista, que ignora o Brasil e não faz bem a São Paulo. Tudo pelo direito de enfrentar um Lula minoritário, prestes a ser engolfado pelas consequências dos delitos que perpetrou.

Disputarei as prévias para a Presidência da República, no PSDB, porque é hora de falar a linguagem do Brasil. É hora de o Brasil se voltar para o Brasil e deitar um olhar inteligente e generoso sobre suas regiões periféricas. Estas sabem entender, por além das fronteiras da demagogia, a parte do Brasil que não as tem sabido interpretar. Enxergam um futuro de verdadeira unidade, porque são vítimas seculares de uma hegemonia caolha que se autocondena à mediocridade e à mesmice.

Nutro consideração pelo João Dória e fraternidade pelo governador Geraldo Alckmin. Mas serei direto: cada um tem falado do outro através de entrelinhas que não mascaram a visível ruptura. Nessa disputa inglória, tangenciam os problemas reais e se perdem em levezas, como se a solução para a crise brasileira pudesse caber em fórmulas de vencer convenções e se pôr à espera de votos úteis… que se revelam inúteis a cada eleição.

As prévias precisarão: a) envolver todos aqueles filiados até, pelo menos, um ano do pleito de 2018; b) não colocar embaraços burocráticos à livre participação de quem se julgue à altura do desafio; c) não sofrer antecipações injustificáveis. Sua realização haverá de estar nas proximidades da convenção, nunca em datas precoces que não convençam a opinião pública; d) ser encaradas como o começo, jamais como a reta final de uma efetiva vitória do Brasil.

Oficializo a decisão de competir ao presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, solicitando-lhe o envio dos nomes e e-mails: a) dos membros do Diretório Nacional; b) dos delegados dos estados e do Distrito Federal; c) dos deputados federais e senadores; d) dos governadores e dos vice-governadores; e) dos deputados estaduais e distritais e dos membros dos diretórios estaduais; f) dos prefeitos, vereadores e membros dos diretórios municipais.

A luta só começa. Quem elege mesmo é o povo.

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