
Julgamento que foi retomado hoje às 10h15, segue pela tarde com réplica do Ministério Público e tréplica dos advogados. Somente após esses procedimentos, é que o jurados vão se reunir para uma decisão. Foto: Raphael Alves/ TJAMF
Ameaçado de morte e preso há 3 anos, o réu Mário Jorge de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, não vê a hora do julgamento sobre o caso do assassinato do delegado Oscar Cardoso terminar, com sua absolvição ou condenação. Neste sábado (26), ele é o único que segue na sessão da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, no Plenário Luiz Augusto Santa Cruz Machado, Fórum Ministro Henoch Reis, bairro São Francisco. Os demais réus e seus respectivos advogados abandonaram a sessão.
Acusado de fornecer carros para a organização criminosa Família do Norte (FDN) e o veículo usado no dia do crime, a defesa de “Mário Tabatinga” trabalha na linha de que ele é inocente do crime de homicídio, que não estava na cena do crime nem teve envolvimento com qualquer preparação para a execução de Oscar Cardoso.
Segundo seu advogado, Paulo Trindade, hoje o seu cliente, pôde, finalmente, colocar tudo o que queria durante o depoimento, tudo o que “estava preso na garganta nos últimos três anos”. “Ele não teve qualquer participação no crime ou na autoria. Esperamos que a promotoria confirme a tese de negativa de autoria. O ilícito dele foi vender carro para os possíveis autores do assassinato. Mas ninguém vende um carro e antes pergunta se ele será usado para matar um delegado”, frisou Trindade.
A defesa afirma que a decisão de permanecer no julgamento hoje é para que “Mário Tabatinga” possa seguir com sua vida. “Seja para condenação ou para absolvição, ele quer resolver tudo, de uma vez por todas. Em seu depoimento ele foi franco, aberto. Ele não faz parte de nenhuma facção criminosa, FDN (Família do Norte) ou PCC (Primeiro Comando da Capital)”.
O advogado relata ainda que o cliente é mais um preso provisório colocado na selva de pedra e de terror que é o sistema penitenciário do Amazonas, que desde janeiro vive momentos críticos após a maior chacina já registrada na história do Estado e uma das maiores do Brasil. “Ele sofre ameaças sérias de morte e pede para ser julgado nesta história macabra e escabrosa da morte do delegado, onde não teve participação”.
Sessão de hoje
O julgamento prossegue com a presença apenas de “Mário Tabatinga”. Após os encaminhamentos dados pelo juiz presidente do Júri, o Ministério Público prosseguiu com a apresentação da acusação, com tempo de 1 hora e meia. Em seguida, foi a vez da defesa do réu apresentar suas considerações, dispondo de tempo idêntico. Após essa fase, haverá, ainda, espaço para réplica do MP e tréplica dos advogados. Somente após esses procedimentos, é que o jurados vão se reunir para uma decisão.