
Arte simula como está montado o plenário do julgamento dos réus acusados da morte do delegado Oscar
Com quase quatro horas de atraso, começou nesta sexta-feira (25) o julgamento do narcotraficante e um dos líderes da Família do Norte (FDN), João Pinto Carioca, o “João Branco” e mais quatro réus denunciados pelo assassinato do delegado da Polícia Civil, Oscar Cardoso, que acontece no Fórum Ministro Henoch Reis, na zona Centro-Sul.
Por volta de 12h20, houve um intervalo para o júri e a banca, após ser ouvida a primeira testemunha ocular do crime. Segundo o depoimento dela, que tem o nome confidencial e entrou de balaclava e túnica preta, estaria cerca de 10 metros da cena (ou a duas casas do local), tendo visto um carro Gran Siena branco chegando, de onde saíram três pessoas e depois uma quarta, que efetuaram os disparos em direção ao delegado.
Durante a sessão, o home disse que o delegado implorou que não matassem o neto dele, que estava com ele na hora do crime, mas que os atiradores seguiram atirando. Após a leitura da denúncia, feita pelo juiz Anésio Pinheiro, o depoente, confirmou ter visto o delegado ser executado.
Diante do testemunho, os advogados de defesa dos réus tentaram desarmar o conteúdo, questionando como o homem teria capacidade de ouvir o que o delegado e suspeitos conversaram se estava numa distância de 10 metros.
Na sessão de hoje estão presentes a mulher de “João Branco”, Sheila Faustino Peres, e o filho dele, que não quiseram falar com a imprensa.
Quatro advogados de defesa – de “João Branco”, do Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes – apresentaram indeferimento, solicitando o cancelamento da sessão de hoje alegando a ausência de uma testemunha de defesa, o policial civil Donato Paes da Silva, que está no interior, deslocado para trabalhar no sistema de segurança durante as eleições deste domingo.
A defesa pediu que, para continuar o julgamento, o policial deveria ser conduzido coercitivamente à sessão. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) se pronunciou, informando que Donato está a serviço do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).
O juiz Anésio Pinheiro indeferiu o pedido da defesa. Segundo o magistrado, mesmo que no Artigo 468 do Código Penal esteja prevista a condução coercitiva em caso de ausência da testemunha, o julgamento deve prosseguir, diante da impossibilidade da condução de Nonato, que está no interior do Estado.
Durante as primeira instruções, os advogados de “João Branco” solicitaram uma audiência particular com o réu, por telefone, que foi concedida. Nas primeiras imagens da videoconferência, uma vez que o narcotraficante está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), a defesa pediu para ele pudesse ficar mais à vontade, com as mãos algemadas para a frente, e não para trás, como ele estava.
A previsão é que o julgamento possa durar até domingo. Cardoso foi morto por volta das 16h do dia 9 de março de 2014, com 18 tiros de pistola ponto 40 e 9 milímetros, no bairro de São Francisco, zona Sul de Manaus.
Serão ouvidas testemunhas de defesa e acusação, num total de dez pessoas convocadas para depor. Dentre elas, duas são testemunhas confidenciais. A acusação é feita pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e a defesa por um grupo de advogados dos réus.
Veja mais notícias em Cidade