15/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Presidente do Sindicato dos Médicos agride colega durante plantão na Unimed

Publicado em 17 de outubro, 2011

O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Rubens Vianna, está sendo acusado de agredir o ginecologista e obstetra Daniel Freire Nakamura durante o plantão de domingo, por volta das 18h40, no conforto do Hospital e Maternidade Unimed (HMU), na Constantino Nery. Nakamura teria feito críticas ao sindicato para um funcionário encarregado de colar cartaz no conforto e este contou ao presidente, que foi tomar satisfações. Mário Vianna é acusado de ter se descontrolado e atingido o colega com um jarro, causando cortes na cabeça e no braço do mesmo.

A cabeça do médico Daniel Nakamura, após a agressão

O caso foi parar no 1º DIP, onde Daniel Nakamura lavrou um Boletim de Ocorrência (BO). A médica Giovana Colares, que estava no conforto na hora da agressão, testemunhou tudo. Além de lavrar o BO, Nakamura enviou ao blog o relato que transcrevemos, a seguir, na íntegra:

“Daniel Nakamura, sou médico ginecologista e obstetra. Também sou filiado ao Sindicato dos Médicos do Amazonas. Filiação da qual fiquei ciente no dia em que vi no meu contracheque um lançamento em nome do sindicato, muito embora não me tenha sido oferecida outra opção. O fato é que, mesmo nunca tendo acreditado no movimento sindical da minha classe, sou, à minha revelia, um médico sindicalizando.

Ontem, estava eu cumprido o meu plantão diurno como ginecologista e obstetra no Hospital e Maternidade Unimed (HMU) quando, no meio da tarde adentra o conforto médico um funcionário do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam). Este pergunta se poderia afixar um cartaz informativo no mural local. Transcorreu o diálogo da forma que se segue:

– Boa tarde Dr.! Com licença! Posso colocar um cartaz no mural?

– Do que se trata?

– São informativos do Sindicato dos Médicos.

– Que sindicato? Sindicato dos Médicos não existe!

– Que é isso Dr. a gente tá lutando muito pela categoria.

– Amigo, desde que a atual gestão do sindicato tomou posse eu não tive nenhum aumento salarial nem da Semsa nem da Susam. Não houve sequer um dia de paralisação.

– Não Dr. a gente já paralisou sim.

– Paralisação em relação aos convênios, que aliás não deu em muita coisa, mas paralisações junto ao Estado ou Prefeitura nada. Inclusive isso soa muito suspeito. Parece que tem gente ai que não quer incomodar peixe grande. Por que será hein?

– Que é isso Dr.! O sindicato é sério.

– Sei…

– Qual o seu nome Dr.?

– Daniel Nakamura.

Após a saída deste funcionário me dirijo ao centro cirúrgico para auxiliar em uma cesariana. Retorno, então, com minha colega de plantão ao conforto onde sentamos para assistir televisão. Por volta de 18:30 o PRESIDENTE DO SINDICATO DOS MÉDICOS DO AMAZONAS, em pessoa, entra no conforto. Aos berros ele se pronuncia:

– Eu faço questão de vir aqui pessoalmente pra dar minha mão à palmatória. Pois homem que é homem dá a cara a tapa mas diz o que pensa na cara de outro sem intermediários. Então Daniel fale pra mim o que você falou pro meu funcionário na minha cara. Fale comigo e não mande recado pelos outros.

Estupefato, tentei responder:

– Dr., se eu falei com o “seu” funcionário foi porque quem estava aqui para ouvir pelo sindicato era o “seu” funcionário. Mas não tem problema não, eu posso repetir tudo o que eu disse para ele e mais alguma coisa.

– Então fale agora.

– Muito bem, pra começo de conversa eu fico muito P… de ter que pagar compulsoriamente um sindicato de M… como esse.

Nesse momento parece que um vulcão entra em erupção, o PRESIDENTE DO SINDICATO DOS MÉDICOS DO AMAZONAS se lança sobre minha pessoa, encostando sua pomposa barriga em mim, gritando:

– Sindicato de M… não! Você me respeite que eu sou um homem sério e não me intimido contigo.

– Pois Dr. eu lhe respeito como médico e muito. Agora, se o Sr. continuar gritando e cuspindo na minha cara, é homem contra homem pô!

Então o primeiro esguicho de lava vulcânica é lançado na atmosfera. O PRESIDENTE DO SINDICATO DOS MÉDICOS DO AMAZONAS desfere um soco contra a minha pessoa sem se preocupar com o testemunho da colega que comigo dividia o plantão. Ainda sem acreditar que um senhor, já assim não tão jovem, pudesse estar me agredindo, eu o empurro para longe de mim. Nisso a colega de plantão se coloca entra nossas pessoas na tentativa de apartar o conflito. Muito rapidamente o EXCELENTÍSSIMO agarra um jarro de vidro cheio de suco de frutas que estava sobre a mesa e o destrói sobre a minha cabeça e bate em retirada.

Bom, uma das vantagens de se ser agredido dentro de um hospital é que você é prontamente atendido. Aos críticos da Unimed Manaus digo que recebi o socorro em menos de dois minutos. Foram aproximadamente quatro pontos na minha cabeça e mais quatro no meu antebraço, além é claro de múltiplos pequenos cortes da cabeça aos pés em função da chuva de vidro que se abateu sobre meu corpo.

Tudo isso foi testemunhado pela colega de plantão Dra. Giovana Colares, que, graças a Deus, evitou uma tragédia maior.

É claro que isso gerou um BO no 1º DIP (11E1001025099) e um exame de corpo de delito no IML (20.8880).

Vale lembrar que o agressor também é (ou foi) médico perito do IML. Será que devo me preocupar com isso?

Também fui informado que o agressor deu entrada mais tarde na urgência do pronto socorro da Unimed com um corte profundo na mão que utilizou pra segurar o jarro de vidro que se espatifou na minha cabeça. Irônico não? Seria interessante que ele fizesse um exame de corpo de delito desta mão. Com certeza essa laudo teria muita utilidade pericial para caracterizar a natureza da agressão.

Agora já imaginou se a moda pega?

Se eu criticar a Dilma o que será que vão quebrar na minha cabeça? Qual seria o suco de frutas que ela utilizaria dentro da jarra?

Se um Presidente reage a críticas dessa forma então retrocedemos em mais de 30 anos em relação à liberdade de expressão nesse País.”

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