05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Com previsão de durar até 72h, julgamento do narcotraficante da FDN, “João Branco”, por execução de delegado, começa nesta sexta

Publicado em 24 de agosto, 2017

Um dos líderes da FDN, “João Branco” e mais quatro réus são acusados de envolvimento na morte do delegado Oscar Cardoso Filho, da Polícia Civil, crime ocorrido em março de 2014. Foto: Arquivo

A 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus inicia nesta sexta-feira (25), um dos julgamentos mais aguardados da pauta da Justiça amazonense, que coloca no banco dos réus os acusados de planejar e executar o assassinato do delegado da Polícia Civil do Estado, Oscar Cardoso Filho, ocorrido em 2017.

O julgamento está marcado para começar às 8h30, no Plenário do Júri do Fórum Ministro Henoch Reis, e a previsão é que se estenda pelo fim de semana, tendo pausas na noite de sexta, e retornando na manhã e tarde de sábado. Dependendo do andamento pode se estender até o domingo (27). Cardoso foi morto por volta das 16h do dia 9 de março de 2014, com 18 tiros de pistola ponto 40 e 9 milímetros, no bairro de São Francisco, zona Sul de Manaus.

Baseado no inquérito policial elaborado pela Polícia Civil, o Ministério Público do Estado do Amazonas denunciou cinco pessoas que teriam envolvimento na morte do delegado: João Pinto Carioca (“João Branco”), Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes, Mário Jorge Nobre de Albuquerque (“Mário Tabatinga”) e Marcos Roberto Miranda da Silva (“Marcos Pará”). Entre testemunhas de defesa e acusação, 10 pessoas estão convocadas para depor durante o julgamento. Dentre elas, duas são testemunhas confidenciais.

Dos cinco réus, apenas João Pinto Carioca será interrogado por meio de videoconferência. Ele está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no interior do Paraná. Já Marcos Roberto Miranda da Silva, que está detido em Mossoró (RN), será encaminhado para a capital amazonense para participar da audiência. Os demais acusados – Messias, Diego Bruno e Mário Jorge -, estão em unidades prisionais de Manaus e também serão apresentados pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Amazonas (Seap).

O narcotraficante “João Branco”, 41, um dos chefes da facção criminosa Família do Norte (FDN), sairá do isolamento no presídio de segurança máxima de Catanduvas (PR) apenas para o julgamento da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.

Atualmente, ele cumpre pena no Regime Disciplinar Diferenciado do presídio por decisão judicial do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4), após pedido do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM), que apontou o narcotraficante como envolvido na maior chacina ocorrida no Estado e uma das maiores do Brasil, que resultou na morte de 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em 1º de janeiro deste ano.

No massacre, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) foram mortos, esquartejados e decapitados e 10 agentes penitenciários foram mantidos reféns durante a ação. A ordem para a chacina teria, segundo investigações, partido de dentro do presídio do Paraná.

O Tribunal do Júri é composto por um juiz presidente e 25 jurados, dos quais 7 serão sorteados para compor o Conselho de Sentença, e que terão o encargo de avaliar se os réus são culpados ou não do crime que estão sendo acusados. Participam ainda da sessão de julgamento pelo Júri, o promotor de justiça – que pode ser mais de um -, a defesa dos réus, e os réus, além das testemunhas.

Resumo da Denúncia

De acordo com o inquérito policial, contido nos autos da ação penal, no dia 9 de março de 2014, por volta das 16h, no bairro de São Francisco, zona Sul de Manaus, os acusados, de forma planejada, organizada e utilizando armas de fogo, participaram da morte de Oscar Cardoso Filho.

Segundo as investigações, o delegado Oscar Cardoso estava em uma banca de peixe, conhecida como Banca do Marcelão, quando um veículo parou e os ocupantes, que seriam João Branco, Marcos Pará, Messias, Maresia e Marquinhos Eletricista, desceram e efetuaram vários disparos contra a vítima, sendo recolhidas no local do crime 22 cápsulas de pistola calibre 40 e 11 de pistola calibre 9 milímetros.

A operação para matar o delegado foi executada com apoio de um outro veículo, um Voyage preto, que seria dirigido por Diego Bruno de Souza Moldes. Após o crime, o primeiro veículo teria sido levado para o bairro do Mauazinho, zona Leste de Manaus, onde foi incendiado. Este carro teria sido cedido pelo empresário Mario Jorge Nobre de Albuquerque, o Mário Tabatinga. A motivação para o crime seria vingança.

Em princípio eram sete acusados da morte do delegado Oscar Cardoso Filho, porém, dois foram mortos no decorrer da instrução do processo: Marcos Sampaio de Oliveira, o “Marquinhos Eletricista”, e Adriano Freire Corrêa, conhecido com “Maresia”.

A sentença de pronúncia foi proferida no dia 2 de fevereiro de 2015 pelo Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. Fundamentada no art. 413 do Código de Processo Penal, o Juízo julgou procedente a denúncia do Ministério Público e pronunciou os acusados João Pinto Carioca, Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes, Mário Jorge Nobre de Albuquerque e Marcos Roberto Miranda da Silva, todos qualificados nos autos, para serem submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri Popular.

Os acusados estão incursos nas sanções do art. 121, § 2º, I (motivo torpe), III (meio cruel) e IV (recurso de dificultou a defesa do ofendido), c/c art. 288, p.u, todos do Código Penal Brasileiro.

Rito do Tribunal do Júri

A realização de uma Sessão do Tribunal do Júri se dá com a participação da sociedade, com o sorteio de sete jurados dentre os cadastrados na 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Após a composição do Júri, o juiz ouvirá as testemunhas – primeiro as de acusação e depois as de defesa -, dando espaço às perguntas do Ministério Público e dos advogados dos acusados. Após ouvir todas as testemunhas, passa-se a interrogar os réus. A ordem de interrogatório dos cinco réus será decidida na hora, pelo juiz.

Passada a fase do interrogatório, o magistrado que preside o Júri concede um tempo para o Ministério Público para debate. Como esta sessão de julgamento tem cinco réus, o tempo deve ser de duas horas e meia. O mesmo tempo é dado à defesa (e as duas horas e meia serão divididas entre os advogados).

Após os debates entre promotor(es) e advogado(s), o juiz oferece a oportunidade de uma réplica ao Ministério Público. O tempo da réplica é estipulado pelo juiz que concede o mesmo tempo para a tréplica dos advogados.

Após os debates, o juiz manda esvaziar o plenário para que os jurados possam votar a culpabilidade dos réus. Após a votação, o juiz vai proferir a sentença, que será lida aos presentes.

Intervalos

Geralmente em uma sessão de Júri com vários réus, a tendência é que o julgamento dure mais de um dia. Com isso, o julgamento é suspenso no início da noite, sendo retomado no dia seguinte. Nesse caso, os jurados são encaminhados a um hotel onde são mantidos em segurança e incomunicáveis.

Na hipótese da sessão do Júri se estender para o domingo (27) – dia do segundo turno das eleições complementares para o Governo do Amazonas –, e como os jurados e demais membros da sessão estarão incomunicáveis, os mesmos estarão legalmente respaldados para apresentar junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) a justificativa de não comparecimento para votar.

Segurança

Por questões de segurança, o Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri não permitirá a entrada de equipamentos para registro de imagem (foto ou vídeo), além de telefones celulares, no plenário onde ocorrerá o julgamento. Durante toda a sessão de julgamento, o Fórum Ministro Henoch Reis terá um esquema especial de segurança.

O julgamento dos acusados de planejar e executar o homicídio do delegado Oscar Cardoso, marcado para esta sexta-feira, deveria ter ocorrido no dia 30 de junho deste ano, mas precisou ser adiado em virtude da não apresentação do réu Marcos Roberto Miranda da Silva, que encontra-se preso em penitenciária federal na cidade de Mossoró (RN).

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