
Condenação de Lula é pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo que envolve OAS, empreiteira investigada na Lava Jato. Foto: Reprodução
O juiz Sergio Moro, da operação Lava Jato, condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e meio de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença, anunciada nesta quarta-feira (12), é a decisão derradeira de Moro no processo em que o petista foi acusado pela Lava Jato de receber propina da OAS, uma das empreiteiras do investigadas últimos anos com contratos bilionários na Petrobras.
Entre as vantagens recebidas por Lula, segundo a acusação, está um apartamento tríplex no balneário do Guarujá, em São Paulo. É a primeira vez que um ex-presidente do Brasil é condenado por corrupção. A sentença saiu menos de 10 meses após a acusação formal feita pelos procuradores.
Ao acusar Lula, a Lava Jato apontou o ex-presidente como “chefe” do esquema de corrupção montado na Petrobras e o acusou de participar, em parceria com a OAS, do desvio de mais de R$ 87 milhões dos cofres da estatal. “Após assumir o cargo de presidente da República, Lula comandou a formação de um esquema delituoso de desvio de recursos públicos destinados a enriquecer ilicitamente, bem como, visando à perpetuação criminosa no poder, comprar apoio parlamentar e financiar caras campanhas eleitorais”, escreveram os procuradores.
“Lula era o maestro dessa grande orquestra”, chegou a dizer, na ocasião, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol. Segundo a denúncia, Lula recebeu R$ 3,7 milhões em vantagens indevidas pagas pela OAS. A maior parcela, R$ 1,1 milhão, corresponde ao valor estimado do tríplex, cujas obras foram concluídas pela empreiteira. Os procuradores sustentaram ainda que companhia gastou R$ 926 mil para reformar o apartamento e outros R$ 350 mil para instalar móveis planejados na unidade, sempre seguindo projeto aprovado pela família Lula.
A acusação inclui R$ 1,3 milhão que a OAS desembolsou para pagar uma empresa contratada para armazenar bens que o petista levou para São Paulo após deixar a Presidência da República. Desde o início da investigação que deu origem à sentença agora proferida por Moro, Lula sempre negou ter recebido vantagens da OAS, além sempre declarar não ser o dono do sítio. O ex-presidente ainda é réu em outros quatro processos e afirmou ontem, que se fosse condenado, não “valeria a pena ser honesto no Brasil”.
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