
Estrutura saiu de Manaus para manter fluxo de cargas e abastecimento da Zona Franca diante das limitações da navegação e da BR-319. (Foto: Divulgação)
Um porto flutuante foi deslocado de Manaus para Itacoatiara nesta quinta-feira (17) como parte da operação logística preparada para enfrentar a vazante dos rios e reduzir o risco de interrupções no abastecimento da Zona Franca de Manaus (ZFM). A estrutura do Grupo Chibatão, utilizada também na estiagem de 2024, deverá começar a receber navios nas próximas semanas.
O deslocamento antecipa uma das principais dificuldades logísticas enfrentadas pelo Amazonas durante períodos de seca severa. Com a redução do nível dos rios, grandes navios podem encontrar restrições de calado para chegar aos terminais de Manaus. Itacoatiara passa, então, a funcionar como ponto de apoio para alívio de carga e transbordo, permitindo que os produtos prossigam até a capital.
A operação é especialmente importante para o Polo Industrial de Manaus (PIM), dependente da chegada contínua de matérias-primas e componentes. Também contribui para manter o abastecimento de alimentos, mercadorias e outros produtos destinados ao mercado amazonense.
A vulnerabilidade aumenta porque o transporte rodoviário não dispõe de capacidade para substituir o grande volume movimentado pela navegação. A BR-319 é a única ligação terrestre de Manaus com a malha rodoviária nacional, por meio de Porto Velho, mas não apresenta atualmente condições de absorver o fluxo de cargas necessário ao abastecimento da ZFM e do mercado consumidor amazonense.
O porto flutuante contará com três guindastes destinados à movimentação de cargas e um equipamento de apoio. A operação está planejada para funcionar 24 horas por dia e mobilizar cerca de 150 profissionais.
Dos trabalhadores previstos, 50 serão contratados em Itacoatiara. Alimentação, materiais de consumo e outros serviços necessários ao funcionamento da estrutura também serão adquiridos no município.
“Estamos 100% preparados para navegar com o píer até Itacoatiara e iniciar o processo de ancoragem e preparação final para receber os navios a partir da próxima semana. Estamos trabalhando com novas tecnologias e novos processos de controle para melhorar a produtividade e entregar o melhor resultado para o nosso estado”, afirmou o diretor executivo do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis, antes da partida.
As primeiras operações previstas são de alívio de carga. Dependendo do comportamento dos rios e das condições de navegabilidade, a estrutura poderá ampliar sua atuação.
A estratégia já foi utilizada durante a severa estiagem de 2024. Naquele período, as restrições à navegação dificultaram a chegada de grandes embarcações aos terminais de Manaus.
As operações realizadas em Itacoatiara permitiram retirar parte da carga dos navios e transferi-la para outras embarcações, mantendo o transporte de insumos para o Polo Industrial e de mercadorias destinadas ao comércio. Quase 59 mil contêineres foram movimentados pela estrutura naquele ano.
A experiência de 2024 também orientou a preparação da Receita Federal para a nova vazante. Segundo a delegada-adjunta da Alfândega da Receita Federal em Manaus, Fernanda Printes, o planejamento começou em abril, com reuniões entre órgãos públicos, armadores e operadores privados.
“A experiência de 2024 nos trouxe até aqui novamente, por ter sido tão bem-sucedida essa solução dos píeres flutuantes em Itacoatiara. A Receita Federal se alinhou às empresas privadas e aos demais órgãos para evitar a falta de suprimentos e de insumos para o Polo Industrial de Manaus”, afirmou.
A presença da fiscalização federal em Itacoatiara deverá começar com a chegada do primeiro navio.
Representantes da indústria e do comércio acompanharam a saída da estrutura para Itacoatiara. Para o conselheiro do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Rildo Oliveira, a operação busca impedir que eventuais restrições à navegação provoquem falta de componentes e matérias-primas e afetem as linhas de produção.
“A intervenção estratégica que está sendo realizada em Itacoatiara é fundamental para assegurar o fluxo logístico dos nossos contêineres até Manaus, evitando a paralisação do setor industrial. Essa operação é determinante para que a indústria mantenha sua produtividade e o estoque de insumos regularizado”, afirmou.
A analista-tributária da Receita Federal Nilzete Costa também destacou a importância da estrutura para manter o fluxo de matérias-primas, mercadorias, alimentos e demais insumos destinados ao Amazonas, enquanto a Receita realiza os procedimentos de fiscalização e controle.
O deslocamento do porto flutuante evidencia a dependência do Amazonas do transporte aquaviário para movimentar cargas em grande escala. Sem uma BR-319 capaz de funcionar como alternativa logística para o volume demandado pela Zona Franca, a navegação continua sendo o principal corredor para entrada de insumos, abastecimento do mercado e escoamento da produção industrial.
Em Itacoatiara, as próximas etapas serão o posicionamento, a ancoragem e a preparação dos equipamentos. A estrutura permanecerá disponível conforme o avanço da vazante e as necessidades da cadeia logística.
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