
Retirada da candidatura de Eron Bezerra deixa casal fora da eleição após décadas de protagonismo na política do Amazonas. (Foto: Reprodução)
Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin estão fora das eleições de 2026 no Amazonas. A retirada da candidatura de Eron a deputado estadual deixa o casal longe das urnas depois de décadas de protagonismo político.
Vanessa não disputa uma eleição desde 2022. Atualmente, é diretora-executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), trabalha em Brasília e mora em Santa Catarina, onde nasceu.
Eron, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e dirigente do PCdoB, teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral. A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) decidiu substituí-lo pelo sindicalista Edilon Queiroz.
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) acolheu parcialmente impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral contra a candidatura de Eron.
O ex-deputado ainda poderia recorrer ao próprio TRE-AM e, depois, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A federação, porém, decidiu não correr o risco de chegar à eleição com a candidatura sub judice.
Segundo Eron, 14 de setembro era o limite considerado pelo grupo para realizar a substituição sem comprometer a nova candidatura.
Ele afirma que os processos usados na impugnação envolvem “erros formais, sem qualquer dolo específico”.
Eron exerceu vários mandatos de deputado estadual e, durante anos, praticamente monopolizou o comando político da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror).
É de sua passagem pela secretaria que vem uma das condenações apontadas no processo eleitoral.
Em 2007, a Sepror firmou convênio de R$ 1,7 milhão com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). O dinheiro seria usado na implantação de uma indústria de polvilho e fécula de mandioca no interior do Amazonas.
Os recursos foram repassados, mas a fábrica não foi construída.
Em 2021, o Tribunal de Contas da União (TCU) condenou Eron por irregularidades no convênio. O valor determinado para devolução, atualizado até julho daquele ano, chegava a aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Cerca de R$ 690 mil haviam sido gastos na compra de máquinas para a fábrica que não entrou em funcionamento.
A vaga de Eron será ocupada por Edilon Queiroz, dirigente estadual do PCdoB e liderança do movimento sindical.
Operário e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Edilon já presidiu a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) no Amazonas.
Eron pediu aos apoiadores que transfiram o voto para o substituto. Também anunciou que continuará participando da campanha.
A substituição é mais um capítulo de uma sequência de tentativas frustradas de Eron de retornar a um cargo eletivo.
Ele não conseguiu se eleger deputado estadual em 2018 e não concorreu em 2022. Em 2024, lançou candidatura à Prefeitura de Manaus, mas não chegou à votação.
Mesmo sem mandato, manteve influência no PCdoB-AM. Também retirou do partido parte da base política que ajudou na eleição de Tanara Lauschner para a Reitoria da Ufam.
Vanessa Grazziotin teve uma trajetória eleitoral de maior projeção nacional. Foi vereadora de Manaus, deputada federal e senadora.
Sua maior vitória ocorreu em 2010.
Vanessa conquistou uma das duas vagas do Amazonas no Senado e derrotou Arthur Virgílio Neto, então candidato à reeleição pelo PSDB.
Arthur era um dos mais destacados opositores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. Vanessa recebeu 672.920 votos, contra 644.340 do tucano.
No Senado, ganhou projeção nacional. Durante o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, esteve entre os parlamentares de maior influência junto ao Palácio do Planalto e tornou-se uma das principais vozes contra o afastamento da presidente. Mas essa influência não se refletiu em nenhum benefício para o Amazonas.
A sequência de vitórias de Vanessa também foi interrompida.
Em 2018, tentou permanecer no Senado, mas terminou em quinto lugar. Recebeu 373.948 votos e não conseguiu renovar o mandato.
Sua última eleição ocorreu em 2 de outubro de 2022.
Vanessa concorreu a deputada federal pelo PCdoB, recebeu 36.816 votos e não se elegeu. Desde então, não voltou a disputar cargo eletivo.
Em fevereiro de 2024, assumiu a Diretoria-Executiva da OTCA.
Eron e Vanessa permanecem politicamente ativos, mas acumulam perda de espaço nas urnas.
Vanessa não conquista um mandato desde a eleição para o Senado, em 2010. Depois, perdeu as disputas de 2018 e 2022.
Eron não se elegeu em 2018, ficou fora de 2022, não chegou às urnas em 2024 e agora foi substituído pela própria federação em 2026.
Pela primeira vez em anos, a ausência dos dois ocorre num momento em que nenhum deles ocupa mandato eletivo.
Depois de décadas como candidatos, parlamentares e personagens de peso na esquerda amazonense, Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin estarão fora das urnas em 2026.
Veja mais notícias em Política