
Foto: Reprodução
O roteiro do longa-metragem de ficção “O Bagre, a Menina e o Rio”, do diretor e roteirista amazonense Marcos Tupinambá, está entre os 15 semifinalistas do Concurso de Roteiros do FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre, considerado o maior evento do gênero na América Latina. Selecionado entre 323 roteiros inscritos, o projeto é o único representante da Região Norte nesta etapa da competição.
A lista com os cinco finalistas será anunciada no dia 10 de setembro. A 14ª edição do FRAPA acontece de 2 a 6 de novembro, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, reunindo roteiristas, diretores, produtores, representantes de canais de televisão, distribuidoras e plataformas de streaming.
A classificação entre os semifinalistas já garante ao projeto a participação em um encontro coletivo com executivos da Netflix e da Globo, além de licença de um ano para a plataforma de escrita de roteiros WriterDuet e outras premiações.
Para Marcos Tupinambá, a seleção representa mais uma etapa no caminho percorrido para levar a história às telas.
“Esse é mais um pequeno banzeiro nessa história que há tanto tempo tento fazer chegar às telas. Uma história que foi crescendo, amadurecendo, ganhando novas camadas, e é uma satisfação perceber que ela também desperta o interesse de pessoas com experiências tão diversas, inclusive dentro do mercado. Agora é esperar o rio correr mais um pouco e ver onde vai desaguar”, afirma o diretor e roteirista.
A trajetória de “O Bagre, a Menina e o Rio” começou antes de o projeto assumir o formato atual. A história foi concebida inicialmente como um curta-metragem e, anos depois, ganhou a possibilidade de ser desenvolvida como longa. O roteiro foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, no Edital nº 01/2023 de Fomento às Artes, na categoria Audiovisual, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e executado pelo Governo do Amazonas, via Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
“O Bagre, a Menina e o Rio nasceu inicialmente como uma proposta de curta-metragem, que acabou não sendo produzido. Em 2023, surgiu a oportunidade de transformar aquela ideia em um roteiro de longa-metragem, por meio de um edital do Governo do Amazonas. Depois de alguns anos de desenvolvimento, finalmente concluí o projeto no final de 2025 e decidi submetê-lo a festivais e concursos nacionais de roteiro, como uma maneira de colocar a história em contato com outros olhares e entender como ela poderia reverberar para além de mim. Fiquei muito feliz quando veio, primeiro, o segundo lugar no Grande Prêmio de Roteiro, na categoria Argumento. Agora, estar entre os 15 semifinalistas do FRAPA, selecionados entre 323 inscritos, é mais um reconhecimento muito significativo para o projeto”, conta Tupinambá.
Ambientado nas palafitas do bairro Educandos, às margens do Rio Negro, em Manaus, “O Bagre, a Menina e o Rio” busca reinserir símbolos e lendas amazônicas na contemporaneidade, combinando elementos do realismo mágico latino-americano com questões sociais.
A narrativa acompanha Jennyffer, uma jovem transgênero, e Pirarara, o menino cabeça-de-bagre, explorando a interseção entre diferentes mundos a partir de uma história atravessada pela cultura, pelo imaginário e pela realidade social amazônica.
“Isso não apenas enriquece a cultura local, mas também contribui para a preservação de histórias e tradições que, de outra forma, poderiam ser esquecidas. Essa valorização da cultura regional tem o potencial de fortalecer o senso de identidade da população local”, pontua Marcos Tupinambá.

Foto: Reprodução
Na construção do longa, o território também ocupa lugar central na narrativa. As palafitas e o Rio Negro deixam de funcionar apenas como cenário e passam a integrar simbolicamente a história e a experiência dos personagens.
“O filme apresenta um olhar autêntico sobre a vida nas margens do Rio Negro, destacando desafios e lutas cotidianas. Isso ajuda a quebrar estereótipos e promover a inclusão social, lembrando que histórias poderosas podem surgir de qualquer lugar”, defende o diretor.
Para Tupinambá, o projeto articula o resgate de elementos da cultura amazônica com questões contemporâneas e a representação de comunidades ainda pouco presentes no audiovisual.
“É um projeto cinematográfico que não apenas conta uma história envolvente de amizade e amor, mas também resgata e preserva elementos importantes da cultura da Amazônia, aumenta a conscientização sobre questões sociais relevantes e dá voz a comunidades sub-representadas. Sua capacidade de educar, inspirar e entreter faz com que seja uma contribuição valiosa para o cenário cultural do Amazonas e além”, comenta.
Criado em Porto Alegre, o FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre é o primeiro e maior evento da América Latina inteiramente dedicado ao roteiro de cinema e televisão. Em 2026, o festival chega à 14ª edição e será realizado de 2 a 6 de novembro, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.
O evento promove o encontro entre profissionais da criação e do mercado audiovisual, reunindo roteiristas, diretores, produtores, agentes de roteiro, representantes de produtoras, canais de televisão, distribuidoras, plataformas de streaming e estudantes.
A programação inclui mesas de debate, oficinas, masterclasses, speed matchings, estudos de caso, sessões comentadas, concursos de Roteiros e Argumentos, pitchings, mostras de longas e curtas e Rodada de Negócios. Os cinco finalistas do Concurso de Roteiros também terão direito a participar da oitava edição do FRAPA[LAB].
Veja mais notícias em Entretenimento