19/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Após recomendação do MPF, União retoma regularização fundiária de comunidade ribeirinha em Amaturá

Publicado em 18 de agosto, 2026

Após recomendação do MPF, União retoma regularização fundiária de comunidade ribeirinha em Amaturá

Por recomendação do Ministério Público Federal (MPF), a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) retomou o processo de regularização fundiária da comunidade ribeirinha Mira Flor, em Amaturá (AM). Sem andamento desde 2018, o processo agora teve a formalização da planta técnica georreferenciada de 35 famílias beneficiárias e o início das negociações para um acordo de cooperação técnica com a prefeitura do município.

A apuração do MPF teve início em 2012, por meio de um inquérito civil que investigava denúncias de invasões indevidas no território tradicional e pedidos de apoio para a regularização das terras. Embora os conflitos de invasão tenham sido resolvidos espontaneamente pelos próprios moradores ao longo dos anos, a segurança jurídica da posse da terra permaneceu pendente.

O processo formal junto à SPU teve início em 2018. Diante da ausência de ações concretas por parte do órgão federal ao longo dos anos, o MPF expediu recomendação para que a SPU priorizasse e adotasse imediatamente as providências necessárias.

Para o MPF, a regularização é considerada essencial porque garante o acesso aos recursos naturais necessários para a sobrevivência e reprodução cultural e econômica das famílias, elimina riscos de disputas territoriais e permite aos moradores o acesso a programas habitacionais e ao crédito rural, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Continuidade do processo

O procedimento de regularização fundiária é dividido em etapas e, conforme análise do MPF, restam ainda:

1. Análise e sobreposição geográfica: verificação de conformidade jurídica e ambiental (se os limites georreferenciados conflitam com terras indígenas, unidades de conservação de proteção integral, áreas militares ou imóveis privados registrados.

2. Emissão e assinatura do Termo de Autorização de Uso Sustentável (Taus): garantia imediata da posse e uso sustentável, em nome da comunidade, que garante a segurança jurídica contra despejos, bloqueia a grilagem e permite o acesso ao crédito rural e a programas de habitação.

3. Gestão e evolução titular: consolidação dos direitos no longo prazo. O Taus funciona como um instrumento transitório e de proteção imediata. Posteriormente, a comunidade pode pleitear a Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) coletiva, um título de uso permanente e registrável em cartório.

Próximos passos

Para evitar que o processo volte a sofrer paralisações, o MPF expediu ofício à SPU para que, no prazo de 30 dias, apresente o cronograma definitivo para a finalização da análise geográfica e emissão do Taus, além de enviar cópia do acordo de cooperação técnica firmado com o município, caso já tenha sido assinado.

Já a Prefeitura de Amaturá deverá prestar informações atualizadas sobre a concretização do acordo com a SPU dentro do prazo de 20 dias.

O MPF orientou ainda que as secretarias municipais de Produção Rural, de Meio Ambiente e de Política Fundiária incentivem outras comunidades ribeirinhas da região a reivindicarem suas regularizações fundiárias, trazendo ganhos estratégicos para a gestão local e a economia da região.

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