13/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MPF recomenda liberação de certificados de pesca esportiva no rio Abacaxis pelo Ipaam

Publicado em 12 de agosto, 2026

MPF recomenda liberação de certificados de pesca esportiva no rio Abacaxis pelo Ipaam

O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para que emita o Certificado de Regularidade de Pesca (CRP) a empresas parceiras indicadas pelas populações tradicionais do Rio Abacaxis. O objetivo da medida é viabilizar a pesca esportiva comunitária, garantindo a proteção territorial das comunidades ribeirinhas e dos povos indígenas Maraguá.

A recomendação quer garantir o início regular das atividades pesqueiras na área ocupada pelos associados, conforme estabelecido em acordo mediado pelo MPF. A atuação ocorre no âmbito de inquérito civil aberto para acompanhar e ordenar o uso do território e dos recursos pesqueiros em municípios como Borba (AM) e Nova Olinda do Norte (AM).

A região do Rio Abacaxis enfrenta uma complexa sobreposição territorial, que reúne assentamentos extrativistas do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra), uma unidade de conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Terra Indígena Maraguá-Pagy.

Cenário

O cenário se torna ainda mais sensível devido ao histórico local de conflitos socioambientais, invasões e pressão do narcotráfico. De acordo com o MPF, a estruturação da pesca esportiva manejada pelas próprias comunidades funciona como uma importante ferramenta para gerar renda local, promover a conservação ambiental e coibir invasões ilegais.

O documento ainda ressalta que as empresas operadoras foram indicadas pelos povos e comunidades tradicionais do Rio Abacaxis, representados pela Associação Nova Esperança do Rio Abacaxis (Anera) e pela Associação do Povo Indígena Maraguá (Aspim).

Prazos e validade

O MPF recomendou que os certificados de pesca sejam mantidos válidos durante todo o período em que o acordo for benéfico às populações tradicionais e até que sejam concluídas a demarcação da Terra Indígena Maraguá e a implementação da Instrução Normativa nº 03/2015 da Fundação nacional dos Povos Indígenas (Funai) na região.

O Ipaam terá o prazo de 10 dias para informar se irá acatar os termos de recomendação. O descumprimento injustificado poderá motivar a adoção de medidas judiciais por parte do MPF.

Inquérito civil n° 1.13.000.000145/2020-59

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