23/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mortalidade materna tem redução, mas é preciso manter melhorias à saúde da gestante

Publicado em 28 de maio, 2017

Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna lembra neste dia 28 a importância dos cuidados com a gestação e a necessidade constante de progresso nas redes públicas de saúde. Foto: Divulgação

Agência Brasil e Redação

Hipertensão e hemorragia estão entre as principais causas da mortalidade materna no Brasil e no mundo, e ocorrem principalmente pela má qualidade da assistência no pré-natal e no parto. Hoje (28), no Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que cerca de 830 mulheres morrem de complicações com a gravidez ou relacionadas com o parto todos os dias.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil fez muitos progressos nos último anos na redução da mortalidade materna, mas ainda está longe do ideal. A mortalidade materna no Brasil caiu 58% entre 1990 e 2015, de 143 para 60 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Levando em consideração os dados de 2010 e 2015, sendo o último ano ainda com dados preliminares, a proporção da mortalidade materna diminuiu de 12%, saindo de 67,9 para 60 óbitos por 100 mil nascidos.

Em Manaus

Em Manaus, dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), apresentam o número 47,23 óbitos maternos para 100 mil nascidos vivos em 2015. Em 2014, o número era mais do dobro: 95,66.

“Essa redução significativa ocorreu devido aos diversos eventos realizados juntos aos profissionais de saúde da Atenção Primária e das Maternidades. Os esforços conjuntos continuam na rede de saúde para evitar agravos à saúde da mãe e do bebê. E as ações preconizadas para essa semana vêm ao encontro das questões de prevenção”, informa a chefe do Núcleo de Saúde da Mulher da Semsa, enfermeira Rita de Cássia Castro de Jesus, lembrando que a programação também vai marcar o Dia de Mobilização para a Redução da Mortalidade Materna.

Alimentação saudável e a prática de atividade física são intensificadas na rede municipal para evitar o sobrepeso e a obesidade em gestante, situações que podem ser associadas a doenças crônicas, principalmente diabetes e hipertensão arterial, que podem ocasionar riscos como a pré-eclâmpsia, macrossomia fetal (excesso de peso do bebê) e o nascimento prematuro.

Por que as gestantes morrem?

A morte materna ocorre durante a gestação ou 42 dias após o parto, quando as mulheres são acometidas por doenças obstétricas, em razão da gestação, ou por complicações de doenças pré-existentes.

As principais causas de morte são pressão alta durante a gravidez, hemorragia após o parto, infecções e aborto. A morte materna se associa à qualidade de vida e de assistência, por isso os indicadores são piores em países em desenvolvimento e em locais com poucos recursos.

Quanto mais precária a assistência, a hemorragia acaba sendo a primeira causa de morte materna. Já no grandes centros, a hipertensão acaba se destacando, por causa de uma qualidade de pré-natal não adequado.

A hipertensão é a elevação da pressão arterial que leva a um comprometimento da saúde da mulher, e aí a pré-eclâmpsia é um fator fundamental.

No estado de São Paulo, é a causa mais comum para a morte materna. Já as hemorragias acontecem, principalmente, por partos mal acompanhados, por ruptura uterina e problemas com a placenta. O parto cesariano eleva o risco da placenta ficar aderida, por exemplo, e a mulher ter hemorragias.

Pré-eclâmpsia

No último dia 22 de maio, algumas entidades internacionais promoveram o Dia Mundial da Pré-eclâmpsia. Todos os anos, quase 76 mil mães e 500 mil bebês no mundo morrem por causa da pré-eclâmpsia. A doença afeta de 8% a 10% das gestações no mundo e responde por 20% de todas as hospitalizações para tratamento intensivo neonatal.

A pré-eclâmpsia é uma doença grave relacionada ao aumento da pressão arterial, mas é pouco entendida e com evolução rápida e imprevisível. Aparece depois das 20 semanas de gestação com sintomas que se sobrepõem e que podem ser considerados normais na gestação, como inchaço, dor de cabeça, ganho excessivo de peso e dificuldade de respirar.

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