01/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Toadas do Garantido inspiram nomes de novas espécies de gafanhotos descobertas na Amazônia

Publicado em 28 de julho, 2026

Toadas do Garantido inspiram nomes de novas espécies de gafanhotos descobertas na Amazônia

Estudo liderado pela cientista amazonense Larissa Queiroz une biodiversidade, cultura popular e saberes indígenas em publicação internacional. (Foto: Divulgação)

Manaus – A cientista amazonense Larissa Queiroz transformou referências da cultura amazônica em parte da literatura científica internacional ao descrever quatro novos gêneros e nove novas espécies de Proscopiidae, grupo de gafanhotos frequentemente confundido com bichos-pau. O estudo, publicado no último dia 23 de julho na revista científica Zootaxa, inclui espécies batizadas em homenagem a toadas do Boi Garantido e à cultura indígena da região.

A pesquisa foi desenvolvida em parceria com os pesquisadores José Albertino Rafael e Raphael Aquino Heleodoro e destaca como a ciência pode contribuir para a valorização da identidade amazônica ao registrar, por meio da nomenclatura científica, elementos da história, da cultura e dos povos tradicionais.

Entre as espécies descritas está Kamara kratxatxa, cujo nome faz referência à toada “Kamara”, lançada pelo Boi Garantido em 2026. A expressão significa “gafanhoto-onça” e foi construída com a colaboração de João Kamarayano, da etnia Hixkaryana, incorporando elementos da língua e da cultura indígena à classificação científica.

Outra espécie apresentada no estudo é Proscopia caacy, inspirada na toada “Mãe da Mata”, de 2011. O termo “caacy”, de origem tupi-guarani, significa “mãe da floresta” e foi escolhido como uma homenagem ao Festival Folclórico de Parintins, uma das maiores manifestações culturais da Amazônia.

Segundo Larissa Queiroz, a escolha dos nomes vai além de uma homenagem ao universo cultural da região. A proposta é aproximar a pesquisa científica da realidade amazônica e ampliar a visibilidade internacional do patrimônio cultural e ambiental da floresta.

“Como cientista amazonense que trabalha descobrindo a diversidade de insetos que existem na Amazônia, acredito que a nomenclatura científica também pode valorizar a história, a cultura e os povos da nossa região”, destacou a pesquisadora.

Ela afirma que buscou eternizar essas referências na literatura científica para mostrar que ciência e cultura podem caminhar juntas na valorização da Amazônia.

Além de ampliar o conhecimento sobre a diversidade dos Proscopiidae, o trabalho evidencia a importância do diálogo entre a pesquisa científica, as tradições populares e os saberes dos povos originários.

Para Larissa, as descobertas representam mais do que a descrição de novas espécies. “Sempre acreditei que a ciência também pode contar histórias. Espero que essa pesquisa contribua para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e mostre que ciência e cultura caminham juntas, valorizando aquilo que torna a nossa região tão única”, afirmou.

Ao comentar a publicação, a cientista também fez uma brincadeira com sua paixão pelo Boi Garantido e disse esperar continuar desvendando a biodiversidade brasileira enquanto “perpetua a perrechéologia”, em referência ao tradicional grito da torcida encarnada.

O estudo representa um avanço para a entomologia brasileira e reforça o potencial da produção científica como ferramenta de preservação e divulgação da identidade amazônica no cenário internacional.

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