10/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Marinha finaliza apuração sobre naufrágio de lancha no Encontro das Águas e envia caso ao Tribunal Marítimo

Publicado em 01 de agosto, 2026

Operação de resgate é intensificada após naufrágio de embarcação no Encontro das Águas

Marinha finaliza apuração sobre naufrágio de lancha no Encontro das Águas e envia caso ao Tribunal Marítimo

A Marinha do Brasil finalizou o inquérito que apurou as circunstâncias do naufrágio de uma lancha da empresa Lima de Abreu Navegações, ocorrido nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus, região onde os rios Negro e Solimões se encontram. Segundo a corporação, o documento representa a etapa inicial da apuração, e agora caberá ao Tribunal Marítimo analisar o caso e definir se houve infrações às normas de segurança da navegação.

Em nota, o Tribunal Marítimo confirmou o recebimento do inquérito e informou que o processo seguirá os trâmites previstos na legislação e nas normas internas da Corte.

Buscas suspensas após cinco meses

Em 8 de julho, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) suspendeu as buscas pelos cinco desaparecidos, após quase cinco meses de operações. A corporação informou que a medida foi adotada diante do esgotamento das possibilidades de localização das vítimas.

Durante o período, foram utilizados drones, embarcações e equipamentos de sonar para varredura do leito do rio, com acompanhamento de familiares dos desaparecidos. O CBMAM afirmou que permanece em sobreaviso e pode retomar as buscas caso surjam novos indícios. Familiares de três desaparecidos já solicitaram o boletim de ocorrência registrado no Sinesp, documento necessário para dar entrada em pedidos de morte presumida na Justiça.

Como aconteceu o naufrágio

A lancha havia partido de Manaus por volta das 12h30 quando naufragou na região do Encontro das Águas. Passageiros gravaram vídeos mostrando pessoas — entre elas crianças — à deriva na água, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes até a chegada do socorro. As causas do acidente ainda não foram divulgadas oficialmente.

Parte dos passageiros foi resgatada por embarcações que passavam pela região antes que uma operação de resgate mais ampla fosse organizada.

Um dos momentos que mais repercutiu foi o salvamento de um bebê de cinco dias de vida, colocado por familiares dentro de um cooler para protegê-lo do contato com a água — o recipiente ficou à deriva até ser localizado pelas equipes. A mãe do recém-nascido, que estava em Manaus para o parto, também foi resgatada, e ambos receberam atendimento médico.

Testemunhas relataram momentos de tensão pouco antes do acidente. Uma passageira contou ter alertado o piloto sobre a necessidade de reduzir a velocidade por causa do banzeiro — ondas fortes típicas da região do Encontro das Águas — e, já à deriva, registrou em vídeo que havia pedido para que ele diminuísse a velocidade.

As vítimas

Morreram no naufrágio Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22, e Fernando Grandêz, de 39. Os corpos de Samila e Lara foram localizados horas após o acidente.

Samila chegou a ser levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já sem vida, segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas; a menina retornava para Urucurituba após sua primeira viagem a Manaus. Lara Bianca, natural de Nova Olinda do Norte, cursava odontologia na capital e estava próxima de se formar.

Fernando Grandêz, cantor gospel conhecido por se apresentar em eventos religiosos em Manaus, teve o corpo encontrado três dias depois do naufrágio.

Piloto responde por homicídio qualificado

O piloto da embarcação, Pedro José da Silva Gama, tornou-se réu por homicídio qualificado depois que a Justiça do Amazonas aceitou, em 24 de abril, denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). A decisão é do juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, que apontou haver prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.

Gama havia se entregado à polícia em 16 de março, após cerca de um mês foragido, apresentando-se na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). No dia do naufrágio, ele chegou a ser detido, mas foi liberado após pagar fiança; no dia seguinte, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto decretou sua prisão preventiva, para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.

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