
Fenômeno conhecido como “rios voadores” provoca inundações, deslizamentos e destruição em dez regiões do país; governo decretou estado de emergência. (Foto: Reprodução)
A forte tempestade que atinge o Chile desde a semana passada já deixou ao menos 10 mortos e mais de 100 mil pessoas isoladas, segundo o mais recente balanço do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Catástrofes (Senapred). O fenômeno, conhecido como “rios voadores”, afeta dez das 16 regiões chilenas.
O presidente José Antonio Kast visitou nesta segunda-feira (20) a região de Coquimbo e a província de Huasco, em Atacama, duas das áreas mais atingidas e que tiveram estado de catástrofe decretado devido aos danos provocados pelas chuvas.
As autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar, já que outras quatro mortes ainda estão sendo investigadas pela polícia.
O relatório do Senapred informa que há 17 feridos, 2.422 pessoas afetadas diretamente e 104.504 isoladas, principalmente nas regiões de Atacama e Coquimbo, onde rodovias foram interditadas e rios transbordaram.
O Ministério da Saúde decretou alerta sanitário nas duas regiões devido à interrupção do abastecimento de água potável. As Forças Armadas iniciaram o envio de ajuda humanitária, incluindo seis toneladas de suprimentos para as áreas mais afetadas.
Em pronunciamento, Kast lamentou a morte das vítimas e pediu cautela às equipes de resgate. O presidente também destacou que a combinação de chuva intensa, ventos fortes, neve e ondas de grande porte tornou o evento climático um dos mais severos já registrados no país.
Segundo o Senapred, 76 casas foram destruídas, 2.121 sofreram danos graves e outras 16.948 tiveram danos leves. Além disso, 888 imóveis seguem em avaliação.
Na região de Coquimbo, os acumulados de chuva chegaram a 287 milímetros desde a última terça-feira (15), volume que, em alguns locais, supera quase o dobro de toda a precipitação registrada ao longo de 2025.
De acordo com as autoridades chilenas, trata-se da maior catástrofe climática enfrentada por Coquimbo nas últimas quatro décadas. Associado ao fenômeno El Niño, o sistema provocou enchentes, deslizamentos de terra, interrupções no fornecimento de água e energia elétrica, além de ventos que alcançaram 160 quilômetros por hora.
A previsão é de que a tempestade continue avançando entre o norte, o centro e o sul do Chile até o fim da semana. Para agilizar a resposta aos danos, o governo chileno decretou estado de emergência constitucional nas áreas mais afetadas.
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