
Paralisação convocada por sindicatos em protesto contra proposta de reforma trabalhista afeta operações aéreas e leva companhias a adotarem medidas para passageiros (Foto: Roberto Carlos/Agecom)
Uma greve geral marcada para esta terça-feira (3) em Portugal causou impactos no transporte aéreo e resultou em mudanças em voos que conectam Lisboa a cidades brasileiras. Diante da paralisação, o Aeroporto de Lisboa orientou os passageiros a consultarem previamente a situação de seus voos junto às companhias aéreas antes de seguirem para o terminal.
A TAP Air Portugal informou que manterá apenas 79 operações, conforme os serviços mínimos estabelecidos para o período da greve. Os demais voos previstos para o dia serão cancelados. A empresa afirmou que está entrando em contato com os clientes afetados para oferecer alternativas de viagem e reduzir os transtornos causados pela paralisação.
A Latam também anunciou flexibilização para passageiros com viagens programadas de, para ou via Lisboa nos dias 2 e 3 de junho. Os clientes poderão remarcar os voos sem cobrança de taxas, observadas as condições da companhia, ou solicitar reembolso conforme as regras tarifárias da passagem.
Já a Azul confirmou o cancelamento dos voos AD8750 e AD8900, que ligam Campinas a Lisboa na terça-feira (2), além dos voos de retorno AD8751 e AD8901, previstos para quarta-feira (3). Segundo a companhia, os passageiros impactados estão sendo comunicados e recebendo assistência.
A mobilização foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), uma das principais centrais sindicais do país. O movimento é uma reação a uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo Conselho de Ministros e encaminhada ao Parlamento português em maio.
Entre os motivos apontados pela entidade para a paralisação estão o aumento do custo de vida, impulsionado pela alta dos preços de alimentos, energia e moradia, além dos reflexos econômicos das tensões internacionais. A CGTP também critica o chamado “Pacote Laboral” defendido pelo governo, alegando que as mudanças favorecem interesses empresariais em detrimento dos trabalhadores.
Enquanto sindicatos mantêm a convocação da greve, empresas aéreas e operadores aeroportuários adotam medidas para amenizar os efeitos da paralisação sobre os passageiros.
Ao defender a proposta, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, afirmou que o país precisa modernizar parte de sua legislação trabalhista para ampliar a competitividade econômica e atrair investimentos. Entre as medidas sugeridas estão a flexibilização de regras para terceirização e a ampliação de mecanismos de banco de horas.
Segundo o premiê, as alterações não têm como objetivo retirar direitos trabalhistas, mas criar condições para que Portugal fortaleça sua posição econômica em um cenário global marcado por incertezas. O governo sustenta que as mudanças podem estimular o crescimento e aumentar a capacidade de atração de novos investimentos para o país.