10/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Câmara aprova projeto contra sigilo em gastos públicos

Publicado em 21 de maio, 2026

Entre as propostas apensadas ao texto aprovado está PL de autoria do deputado federal Amom Mandel. Foto: Jessé Gomes

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (21), o Projeto de Lei nº 3.240/2025, que altera a Lei de Acesso à Informação, a Lei de Improbidade Administrativa e a Lei de Crimes de Responsabilidade para impedir a imposição de sigilo sobre informações relacionadas a gastos da Administração Pública Federal.

Entre as propostas apensadas ao texto aprovado está o PL nº 6.705/2025, de autoria do deputado federal Amom Mandel, que defendia transparência absoluta na divulgação das despesas públicas da União.

O texto aprovado em Plenário estabelece que despesas relacionadas a diárias, alimentação, hospedagem, passagens, locomoção e suprimento de fundos não poderão ser ocultadas por classificação sigilosa. A proposta permite proteção apenas de informações operacionais consideradas sensíveis, como detalhes de segurança envolvendo deslocamentos de autoridades, mas mantém obrigatória a divulgação dos valores gastos.

Segundo Amom Mandel, a aprovação representa um avanço no combate ao uso indevido do sigilo sobre despesas públicas.

“A corrupção gosta de sombra. Ela se esconde onde a sociedade não consegue enxergar. Quando uma despesa pública é colocada sob sigilo sem justificativa real, não se está protegendo o Estado. Está se retirando do cidadão o direito de saber para onde foi o dinheiro dele. Transparência não é favor. É obrigação”, afirmou o parlamentar.

Texto prevê punições para sigilo indevido

O substitutivo aprovado também altera a Lei de Improbidade Administrativa, incluindo punições para agentes públicos que utilizarem classificação sigilosa com objetivo de obter proveito pessoal ou ocultar ilegalidades.

Além disso, a proposta modifica a Lei nº 1.079/1950 para prever crime de responsabilidade em casos específicos de imposição indevida de sigilo pelo presidente da República.

Outro ponto previsto no texto é a possibilidade de revisão de classificações sigilosas pelo Congresso Nacional por meio de decreto legislativo. Também está prevista desclassificação automática caso a Comissão Mista de Reavaliação não delibere sobre o tema no prazo de até 120 dias.

Projeto de Amom defendia transparência absoluta

O PL 6.705/2025, apresentado por Amom Mandel, tinha alcance mais amplo e previa transparência integral para todas as despesas da administração direta e indireta da União, incluindo fundos, autarquias e estatais dependentes.

A proposta estabelecia divulgação obrigatória de informações como nome do beneficiário, CPF ou CNPJ, valor exato da despesa, data e objeto do gasto.

Mesmo em situações envolvendo proteção de dados pessoais, LGPD ou segurança nacional, o texto determinava que o valor total da despesa jamais poderia ser ocultado.

“O texto aprovado não é tudo o que defendíamos, mas acolhe o coração da proposta: o valor gasto com dinheiro público precisa aparecer. O Brasil precisa parar de aceitar que a palavra ‘sigilo’ seja usada como senha para esconder despesa”, declarou Amom Mandel.

Matéria segue para o Senado

O projeto principal é de autoria dos deputados Gustavo Gayer e Marcel van Hattem. O parecer aprovado em Plenário foi apresentado pelo deputado Sóstenes Cavalcante.

Com a aprovação na Câmara, a proposta segue agora para análise do Senado Federal.

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