
Espanha recebe primeiros passageiros do cruzeiro atingido por surto de hantavírus
Autoridades da Espanha informaram que começaram a trazer para terra passageiros espanhóis do navio de cruzeiro MV Hondius afetado por um surto de hantavírus, que estava ancorado próximo a Tenerife neste domingo (10), com grupos de pessoas de outros países sendo evacuados em seguida.
Os cidadãos espanhóis foram os primeiros a desembarcar em pequenos barcos, em grupos de cinco, e levados até a costa, onde foram transferidos para ônibus e encaminhados ao aeroporto local.
Os passageiros, que não apresentam sintomas do vírus, embarcarão em um voo de retorno a Madri em um avião militar espanhol e serão levados ao hospital para ficarem em quarentena, informaram autoridades do governo, ressaltando que eles não terão contato com o público.
O navio de cruzeiro de luxo partiu em direção à Espanha na quarta-feira (06), partindo da costa de Cabo Verde, após a Organização Mundial da Saúde e a União Europeia solicitarem que o país coordenasse a evacuação dos passageiros depois que o surto de hantavírus foi detectado.
Países como Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Reino Unido e Países Baixos confirmaram no sábado (09) que enviaram aviões para retirar seus cidadãos a bordo, embora autoridades locais nas Ilhas Canárias tenham informado que nem todas as aeronaves haviam chegado até a manhã de domingo.
Autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) informaram que seis dos oito casos totais foram confirmados Apesar disso, a entidade afirma que o risco para o público em geral permanece baixo. Até o momento, três pessoas morreram.
O navio de cruzeiro, de onde possivelmente surgiu o surto de hantavírus, transportava 147 passageiros e tripulantes quando os primeiros casos foram relatados, em 2 de maio.
Com o agravamento da situação, Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda confirmaram neste sábado (9) que enviarão aviões para evacuar seus cidadãos do MV Hondius.
Os Estados Unidos também devem enviar aeronaves para resgatar os americanos a bordo, enquanto a União Europeia (UE) deve disponibilizar mais duas aeronaves para retirar os demais cidadãos europeus do navio.
O hantavírus é um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres e que pode causar uma doença chamada hantavirose. No Brasil, a forma mais grave e mais conhecida é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta principalmente pulmões e coração.
Segundo o médico infectologista Marcos Boulos, professor sênior do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a infecção costuma estar ligada a ambientes rurais com presença de roedores.
“A hantavirose é uma infecção causada pelo hantavírus, que é transmitido por fezes de roedores inaladas por pessoas que têm contato com locais com muitos roedores, principalmente em regiões rurais e silos de armazenamento”, explica.
A doença pode variar de quadros leves, semelhantes a uma gripe, até casos graves com insuficiência respiratória.
A principal forma de transmissão acontece pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados.
Isso pode ocorrer, por exemplo, durante a limpeza de locais fechados e mal ventilados onde haja presença de ratos, como galpões, silos, celeiros, depósitos e casas fechadas por muito tempo.
Também existem formas menos comuns de transmissão, como:
Segundo o infectologista, a transmissão inter-humana é incomum, o que reduz o potencial de disseminação em larga escala.

Os sintomas iniciais podem ser confundidos com uma gripe comum. “A forma mais grave é a respiratória, que leva a comprometimento pulmonar. Os sintomas mais notórios são falta de ar que vai se intensificando, febre, fraqueza e dor de cabeça”, afirma Boulos.
Outros sintomas graves incluem:
O período de incubação pode variar de uma a cinco semanas após a exposição ao vírus.
Sim. O Brasil registra surtos esporádicos de hantavirose, principalmente em áreas rurais.
Segundo especialistas, os casos costumam ocorrer de forma isolada ou em pequenos surtos, geralmente associados ao contato com ambientes infestados por roedores silvestres.
“As ocorrências no Brasil são esporádicas”, explica Boulos.
O Ministério da Saúde monitora casos da doença no país e reforça medidas de prevenção, principalmente para trabalhadores rurais e pessoas expostas a locais de risco.