07/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pesquisa usa fungo amazônico para criar farinha com sabor semelhante ao de carne

Publicado em 09 de maio, 2026

Pesquisa usa fungo amazônico para criar farinha com sabor semelhante ao de carne

Estudo da Unicamp aposta em fermentação de resíduos agroindustriais para produção de ingrediente sustentável. (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Good Food Institute, resultou em uma tecnologia capaz de transformar resíduos agroindustriais em uma farinha funcional com aroma semelhante ao de carne cozida.

O estudo utiliza fungos amazônicos para fermentar subprodutos como cascas de batata, aveia e açaí, criando uma alternativa sustentável voltada ao mercado de proteínas vegetais e alimentos “clean label”, livres de aditivos sintéticos.

Segundo os pesquisadores, o processo inicialmente produz um aroma intenso de maracujá durante a fermentação. A mudança ocorre quando o material passa por aquecimento em altas temperaturas. Nesse momento, compostos aromáticos sofrem transformações químicas — como a reação de Maillard — e passam a apresentar cheiro característico de carne cozida.

Os responsáveis pela pesquisa afirmam que a técnica adapta processos biotecnológicos já utilizados na fabricação de alimentos fermentados, como missô e queijo Roquefort, mas de maneira inédita para a criação de ingredientes funcionais.

A farinha produzida pode ser incorporada diretamente em alimentos, reduzindo custos industriais ao eliminar etapas de extração e purificação de compostos aromáticos.

Além do aroma, o produto também apresentou ganho nutricional. De acordo com os pesquisadores, a fermentação em estado sólido aumenta os níveis de proteínas e aminoácidos por meio do crescimento do micélio fúngico.

O ingrediente ainda contém compostos bioativos, como o ergosterol, precursor da vitamina D.

Pela legislação brasileira, aromas produzidos a partir da fermentação de substratos naturais são classificados como naturais, característica que acompanha a tendência global de produtos com ingredientes rastreáveis e menor impacto químico.

Os pesquisadores destacam ainda que o método é considerado sustentável por reutilizar resíduos agroindustriais e exigir menor consumo de água e solventes no processo produtivo.

A tecnologia já teve pedido de patente depositado pela Agência de Inovação Inova Unicamp. O licenciamento para exploração comercial está aberto a empresas interessadas em utilizar a farinha em setores como panificação, snacks, proteínas vegetais e alimentação animal.

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