
Artesã Regiane Lima leva moda amazônica ao debate global sobre sustentabilidade e justiça climática. (Foto: Divulgação)
Parintins passa a integrar o circuito de um dos maiores movimentos globais de moda sustentável, o Fashion Revolution. Pela primeira vez, o município conta com representação oficial no evento, por meio da artesã e empreendedora criativa Regiane Lima.
A iniciativa reúne mais de 100 países em torno de uma agenda que conecta moda, sustentabilidade e justiça climática, ampliando o alcance da produção amazônica no cenário internacional.
Com uma trajetória construída ao longo de 25 anos em Parintins, Regiane Lima desenvolve um trabalho que une cultura, sustentabilidade e inovação. Desde a infância, quando começou a experimentar técnicas e materiais, até a profissionalização, sua produção evoluiu para peças autorais ligadas ao Festival de Parintins.
Esse percurso resultou no projeto “Retalhos da Cultura”, que transforma resíduos têxteis do festival — como tecidos de alegorias, sementes e penas — em novas peças voltadas à moda autoral.
“O mundo já conhece o que a gente apresenta na arena, mas ainda precisa conhecer o nosso trabalho artesanal. Tudo aquilo que aparece nas grandes alegorias também é feito à mão. Existe um corpo inteiro de profissionais na ilha que trabalha o ano todo”, afirmou.
Produção coletiva e geração de renda
Além da atuação individual, Regiane integra o coletivo Mãos Criadoras, que reúne 64 artesãos no município e desenvolve ações de capacitação e geração de renda. Entre os resultados está a realização da primeira Feira do Artesão em Parintins.
O trabalho coletivo amplia a visibilidade do setor e fortalece a economia criativa local, conectando a produção artesanal a novos mercados.
Em 2026, Parintins passa a integrar oficialmente o calendário do Fashion Revolution. No dia 18 de abril, o município realizou sua primeira programação alinhada ao movimento, com exposição do projeto “Retalhos da Cultura” e um painel interativo que destacou os profissionais por trás da produção de moda na Amazônia.
As atividades reuniram artesãos, organizadores e o público local, marcando a entrada da cidade no circuito internacional.
No Brasil, a articulação é conduzida pelo Fashion Revolution Brasil, responsável por mobilizar ações em diferentes regiões do país.
Segundo Regiane Lima, a participação no movimento é resultado de um processo contínuo de formação e articulação.
“As ações acontecem principalmente em abril, mas todo o processo de construção vem sendo desenvolvido desde o ano passado, com reuniões, palestras e encontros para entender melhor esse contexto e nos capacitar”, destacou.
A inserção de Parintins no movimento amplia a visibilidade da moda amazônica e reforça o protagonismo da região Norte nas discussões sobre sustentabilidade, cultura e economia criativa.
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