
O Prefeito de Manaus, David Almeida, anunciou que deixa o cargo no próximo dia 31. Foto: Dhyeizo Lemos/Divulgação
O prefeito de Manaus, David Almeida, anunciou que vai antecipar sua saída do cargo para disputar as eleições de 2026. A decisão impacta diretamente o primeiro escalão da gestão municipal: pelo menos 11 secretários devem deixar os cargos no dia 27 de março para cumprir o prazo de desincompatibilização.
Entre os nomes confirmados está o chefe da Casa Civil, Marcos Rotta, que deve disputar uma vaga no Senado. Outros secretários que pretendem concorrer também seguirão o mesmo calendário.
A legislação eleitoral estabelece o dia 4 de abril como prazo final para desincompatibilização. No entanto, o prefeito decidiu antecipar o movimento por razões práticas e pessoais. Adventista, David Almeida não realiza atividades entre 18h de sexta-feira e 18h de sábado — justamente o período em que cairia o prazo limite.
Além disso, o calendário cria obstáculos políticos: a sexta-feira anterior (3 de abril) será feriado da Semana Santa; o dia 2 tende a ser esvaziado; e o dia 1º de abril é tradicionalmente evitado por simbolismo negativo. Com isso, a data mais provável para a saída do prefeito passou a ser 31 de março, ainda que carregue peso histórico e simbólico no país.
“Quando meus inimigos me atacam, eu dobro a aposta”, afirmou o prefeito, em tom desafiador ao anunciar a decisão.
Mais do que uma adequação de agenda, a antecipação revela um movimento estratégico diante de um cenário político mais adverso do que o esperado.
A possível candidatura de David Almeida vinha sendo colocada em dúvida nos bastidores desde que o governador Wilson Lima decidiu permanecer no cargo e não disputar o Senado. A permanência de Wilson altera o tabuleiro eleitoral e reduz as alternativas de composição política para o prefeito.
Sem a saída do governador, David perde a perspectiva de um rearranjo que poderia envolver o vice-governador Tadeu de Souza como peça-chave em um eventual segundo turno. Na prática, o prefeito passa a depender quase exclusivamente da estrutura administrativa da Prefeitura de Manaus como base de sustentação política.
O distanciamento entre David Almeida e Wilson Lima, marcado por divergências públicas e falta de alinhamento, reforça esse isolamento. Não há sinalização de aliança entre os dois grupos para 2026.
A antecipação também elimina margem para recuo. Caso não se desincompatibilize até o prazo legal, o prefeito ficará impedido de disputar a eleição.
Ao cravar a saída antes do limite, David Almeida transforma a decisão em um ponto de não retorno — e tenta converter a pressão em demonstração de força política.
O movimento abre oficialmente a fase mais intensa da pré-campanha no Amazonas, com rearranjos no governo municipal, reposicionamento de aliados e disputa direta por protagonismo no cenário eleitoral de 2026.
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